16 de dezembro de 2012

“Teoria do Rock” é matéria na UFF



O segundo semestre de 2012 na Universidade Federal Fluminense além de começar em Novembro (devido ao prolongado período de greve), trás como outra peculiaridade uma grata surpresa para os fãs de Rock e seus afins, uma disciplina da grade de Estudos de Mídia, voltado especificamente para a análise e o estudo desse gênero musical. A ideia do curso é trabalhar com as algumas regras do gênero e de algumas vertentes, transformando afetos em questões acadêmicas, “não é apenas rock’n’roll”. Vejam o que diz parte da ementa:

“(...) a ideia do curso de Teoria do Rock é apresentar uma história social por trás da vertente. Logo, um dos focos é compreender a história e o desenvolvimento social – e midiático – do rock mundial (Elvis, a juventude do contexto do pós-guerra, a produção atual). Para sairmos do lugar-comum “é apenas rock’n’roll, mas eu gosto”, analisaremos as culturas do rock, a partir dos valores de produção, circulação e consumo de seus subgêneros, assim como as disputas com demais gêneros musicais. Estudos recentes apresentados por autores como Simon Frith, Jeder Janotti Jr, Paul Friedlander, Holly Kruse e Harris Berger apontam que há um universo inter-relacionado de elementos musicais, líricos, culturais, econômicos e tecnológicos inserido na cultura do rock. (...)” 

Com uma fila de espera bem grande para uma matéria optativa, o curso pode ser considerado um sucesso de público, mas segundo as professoras responsáveis, os alunos não terão muito tempo para “bater-cabeça” durante as aulas, o conteúdo é denso e tem muito a ser discutido. O curso e sua bibliografia são um prato cheio para aqueles que pesquisam, gostariam de pesquisar ou apenas ter um conhecimento mais aprofundado sobre gênero.

A disciplina é ministrada por Simone Sá, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do curso de Mídia da Universidade Federal Fluminense, também coordenadora do LabCult (- Laboratório de Pesquisa em Culturas Urbanas e Tecnologias) e Melina Santos, graduação em Comunicação Social (2007) pelo Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do LabCult, seu trabalho é voltado para o Metal e analisa os processos de distribuição musical na internet.

E esse semestre promete ser bastante produtivo para o Rockalogy, já que sou uma das alunas inscritas na matéria e ela é tudo e um pouquinho mais do que venho trabalhando no blog desde 2009, quando comecei a graduação em Estudos de Mídia. Espero que “essa moda pegue” e possamos ver mais disciplinas, em mais cursos, em mais instituições com esse foco.

13 de dezembro de 2012

Freeze! EP, Vakan - Resenha



Freeze! - Vakan
EP: Freeze!
Banda: Vakan
Santa Maria – RS

Matheus Oliveira, vocal
Alexandre Marinho, guitarra
Carlos L. Schmitt, baixo
Lucas Oliveira, bateria

EP de quatro faixas, calcado na sonoridade Heavy Metal possui diferentes momentos que podem agradar desde fãs de Rock 'n' Roll àqueles que preferem passagens mais pesadas e de certa profundidade.  “Moving On”, a quarta faixa do EP, deveria estar abrindo o trabalho, pois além de trazer o título em seu refrão, é uma das mais vigorosas do álbum e junto com “Curtain Call” parecem dizer mais diretamente ao que a banda veio.

As pessoas gostam de saber o que estão ouvindo desde um primeiro momento, gostam de identificar elementos, conseguir estabelecer uma direção à sua escuta e a Vakan em “Freeze!” consegue proporcionar isso sem soar repetitivo, ou parece algo meio sem descrição que saiu de um liquidificador cheio de influências variadas.

Como todo primeiro trabalho, "Freeze!" é uma pequena amostra do que a banda virá a ser, o que não quer dizer que sejam composições menores, pelo contrário, dependendo do caminho que a banda pretende seguir essas quatro faixas podem se tornar clássicas em sua trajetória. Em alguns momentos o vocal poderia ser mais vigoroso, em outros os solos de guitarra parecem não encaixar totalmente na música, mas isso não chega a influenciar na obra como um todo, se é que podemos pensar assim em tempos em que a ideia de álbum parece cada vez fazer menos sentido.

A parte visual do material poderia ser melhor trabalhada, tipografias, imagens poderiam ser mais exploradas, mas isso não chega a pesar tanto numa avaliação pois o que importa mesmo no final das contas é conteúdo, estou cansada de ver bandas com um trabalho visual incrível e com um som medíocre.

Gostaria de ter a oportunidade de conferir a banda ao vivo, pois para mim essa é verdadeira prova de fogo, mas só posso falar no momento sobre o EP e esse eu recomendo, principalmente para fãs de Heavy Metal. Espero que a banda siga seu cronograma e nos apresente novas composições logo em breve, as expectativas, a contar com “Freeze!” são as melhores.

Links
http://www.facebook.com/VakanOfficial

Por: Natália Ribeiro "Rockalogy"

1 de dezembro de 2012

Novo quadro do Metal Busted! busca abordagem diferenciada

O novo quadro "Life Busted!" do canal Metal Busted! apresenta o universo rock/metal além da música. Pensando no público online ávido por novidades e que cada vez mais monta sua própria grade de programação, a Busted! Produções buscou preparar algo diferenciado. Footages e entrevistas frente a frente existem várias na internet então por que não inaugurar uma nova proposta, por que não se arriscar?
O primeiro episódio "Girrrl Talk: Backstage com Melyra" mostra o behind the scenes, a preparação de uma banda pouco antes dela subir ao palco, ele entra no camarim com as meninas da banda e apresenta temáticas e assuntos referentes à "sociologia do rock"; vida social, tendências, identidade, preferências, etc.
O quadro tem um apelo estético e visual bastante atrativo, o que pode quebrar certos padrões dentro da mentalidade do gênero documental/informativo do rock/metal, o que pode incomodar, ou mesmo desagradar a alguns, mas abre um grande número de possibilidades para um novo tipo de pensamento e também para espectadores mais novos.
O quadro precisa amadurecer um pouco mais, e em se tratando do primeiro episódio, isso é algo inevitável e é também um processo, está no caminho certo e cumpre sua função. Deve-se ter o cuidado para que seja algo curto e dinâmico, mas não rápido demais, não perder do timing.
A ideia é acrescentar. Dá o play.

26 de outubro de 2012

Programa piloto da Radio MUC no ar


Está no ar o primeiro programa da Radio MUC, uma parceria do Movimento Underground Carioca, blog Rockalogy e Busted! Produções. O programa em formato podcast tem por objetivo divulgar a cena do Estado do Rio de Janeiro e dar vazão ao grande volume de produções que acontecem nesse meio.
Em clima experimental o programa #00 vem apresentar um pouco da proposta da rádio e convidar bandas e agentes da cena a colaborarem, a ideia é divulgar o que há de melhor na cena metal do Estado, dando suporte a divulgações, projetos e iniciativas que buscam dar visibilidade e uma maior articulação à cena underground.

Confiram:





Nesta edição temos
Syren, Vingador, Statik Majik (Versão Live Busted!), Vociferatus e Scatha

Levantamento de Bandas por Cidades e Gêneros – Faça parte

http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/acompanhamento-lbrj.html


Mais informações na página

25 de outubro de 2012

Girls of Metal - Trad. Capítulo 8 do livro Metalheads de Jeffrey Jesen Arnett


As Meninas Do Metal_Jeffrey Jensen Arnett, trad. Natália R Ribeiro




Referência bibliográfica
ARNETT, Jeffrey Jensen _ Metalheads : heavy metal music and adolescent alienation. Boulder: Westview Press, 1996.

Tradução livre feita por Natália Ribeiro editora do blog Rockalogy (rockalogy.blogspot.com), contato ribeironatalia3@hotmail.com


25 de setembro de 2012

Metal com bateria de carnaval - Novo projeto do músico Alexandre de Orio misturando Metal com ritmos brasileiros



Alexandre de Orio, guitarrista da banda Claustrofobia, Quarteto de guitarras e autor do livro “Metal Brasileiro: Ritmos Brasileiros Aplicados na Guitarra Metal”, acaba de lançar um novo e audacioso projeto chamado “Projeto Alexandre de Orio & Bateria S/A”.

Orio juntou-se ao grupo de percussão “Bateria S/A”, bateria universitária bicampeã da FEA-USP na intensão de tocar grandes clássicos do Rock e do Metal numa instrumentação peculiar, somente guitarra e percussão. O grupo também pretende compor músicas autorais nesta formação, aliando o peso da percussão com a agressividade dos riffs de guitarra. A idéia é utilizar a percussão de duas formas, tanto simulando uma bateria mesmo, quanto adicionar ao arranjo algum outro ritmo como samba, baião, maracatu etc – desde que isso se adeque a música.

A primeira música escolhida para filmar e lançar este trabalho foi um dos maiores clássicos do metal, “Cowboys from Hell” do Pantera. Alexandre comenta que é uma das melhores bandas pra fazer esse link, pois há muito groove nos riffs de guitarra e que a soma do peso da guitarra com o da percussão dá um grande impacto. 

O projeto é praticamente uma extensão do livro “Metal Brasileiro” lançado no primeiro semestre de 2012 e que agora apresenta um novo olhar de aplicação do material. Em breve sairá à versão inglês. Mais informações www.brazilianmetal.com

Confira também a entrevista feita com o músico para o Rockalogy em: http://rockalogy.blogspot.com.br/2012/02/metal-com-samba-entrevista-com.html

20 de setembro de 2012

Música boa e música ruim, quem pode determinar esses valores?


Euterpe, musa que preside à música. Uma das nove musas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemósine.

Entender de música não quer dizer apenas ser dotado de conhecimentos à cerca de ritmo, melodia e partituras, entre outros saberes necessários ao “fazer” musical, para entender a música é preciso entender o que ela representa e em qual contexto cultural ela se insere.

Antes de haver música, é preciso haver o som, e para haver música é preciso reconhecer determinado som como música. Como Andre Stangl e Reinaldo Pamponet Filho apontam em seu texto, “É bem possível que a organização dos sons e a criação dos primeiros instrumentos envolvessem formas rituais e significados místicos”.

Rituais de modo geral, são demarcadores culturais, assim como tribos indígenas podem ser diferenciadas pelo modo como cantam e dançam, na sociedade atual, os rituais continuam a funcionar da mesma forma, e a forma como cantamos e dançamos continua nos ajudando a demarcarmos o que somos em nossa sociedade.

No entanto, citando os próprios autores, “na modernidade, a música despencou do céu e foi transformada em produto e mercadoria.” Nossa percepção sobre a música mudou com o surgimento de novas técnicas e o desenvolvimento da indústria musical, no entanto continua sendo culturamente moldada. 
“Não existe sentido no som fora da cultura. Somente a cultura nos permite perceber um som como música, a cultura do som é ser música. (...) Em outras palavras, ainda que se discuta o gosto, a escolha não é entre o bom e o mau gosto, mas sim a opção entre um ou outro valor musical culturalmente compartilhado.” (p. 120, 121)
Embora o parágrafo acima seja muito útil a uma definição de música culturamente determinada, não podemos esquecer que a música também possui uma estrutura e que a meu ver não deve passar alheia a uma análise. Por mais que sua estrutura sirva a uma determinada finalidade, animar, fazer dançar, vislumbrar, incomodar, etc. isso se faz por diferentes formas, mais ou menos objetivas, mais ou menos efetivas e que tem a ver tanto com a forma como foi composta, quanto aos sentimentos que por ela pretendem ser acionados. 

Irineu Franco Perpetuo, Sergio Amadeu Silveira (orgs.). O futuro da música depois da morte do CD - São Paulo: Momento Editorial, 2009.

17 de setembro de 2012

Establishment x Outsiders, o caso de Wolfgang Amadeus Mozart e o músico no século XVIII



Resenha do livro “Mozart, sociologia de um gênio” de Norbert Elias* 

Mozart é incontestavelmente um grande gênio do que hoje conhecemos como “música clássica”, aos 4 anos executava peças musicais bastante complexas, aos 6, ele a irmã já saiam em turnê se apresentando em concertos pela Europa. Nasceu em 1756 e aos 35 anos morreu sem ter seu talento reconhecido e sem um cargo numa corte à sua altura, como tanto desejara.

Mozart tinha pleno conhecimento de seu talento [vale destacar aqui que à época o conceito de “gênio” ainda não estava formado] e recusava-se a viver na limitada corte de Salzburgo, no entanto, as perspectivas da época para músicos que pretendiam trabalhar de forma “independente” não eram nada boas.

A orquestra permanente e remunerada era item essencial de prestígio para um governo soberano. Os músicos da corte eram empregados como outros quaisquer, Mozart e o pai eram empregados na corte de Salzburgo, o que lhes rendia o suficiente apenas para manter a família com certo conforto:
"O que chamamos de corte principesca era, essencialmente, o palácio do príncipe. Os músicos eram tão indispensáveis nestes grandes palácios quanto os pasteleiros, os cozinheiros e os criados, e normalmente tinham o mesmo status na hierarquia da corte. Eles eram o que se chamava, um tanto pejorativamente, de criados de libre." (ELIAS, 1995 p.18)
O músico tinha que atender a demanda do príncipe e sua composição tinha que agradar a seu gosto, embora o príncipe muitas vezes mal entendesse do processo de composição de uma obra. A música era feita essencialmente para atender a demanda de seu público, não havia a compreensão da individualidade criativa do artista. O principal financiador da música no século XVIII era a aristocracia, concertos e óperas eram feitos sob encomenda para os nobres.
"Na fase da arte artesanal, o padrão de gosto do patrono prevalecia, como base para a criação artística, sobre a fantasia pessoal de cada artista.” (ELIAS, 1995 p.47)
Como Elias aponta , a vida de Mozart ilustra a situação de grupos burgueses outsiders numa economia dominada pela aristocracia de corte, Morzart queria viver para sua arte e por meio dela, mas sem depender, e mais que isso, ter de se submeter, ao gosto da classe superior; do establishment. No entanto, no momento histórico do qual fazia parte não havia o ambiente e as condições para que músicos outsiders se desenvolvessem enquanto tal.

Establishment x Outsiders retoma a luta da burguesia contra a aristocracia que ocorria mais ou menos naquele período, se Morzart não conseguia colocação nas cortes (cargos permanentes em cortes nobres, como citado acima) ele teria de buscar novos meios ganhar a vida com a música. Norbert Elias diz que além das composições de Morzart não se encaixarem ao público burguês outsider, não havia um maior desenvolvimento na área de publicações musicais. 

Beethoven nasceu quase 15 anos depois de Mozart, e já conseguiu aproveitar-se desse mercado em amplo desenvolvimento e também da difusão de concertos para uma audiência composta de pagantes, e não de convidados. Elias aponta uma mudança estrutural na posição do artista.

Conforme vai ocorrendo a substituição da aristocracia de corte por um público de profissionais burgueses enquanto classe superior e, portanto, como consumidores de obras de arte, vai ampliando-se o público e as possibilidades de subsistência do músico, ao mesmo tempo que o artista foi ganhando mais autonomia em sua produção o que significa um maior empoderamento perante a audiência.

O que torna esse livro especial e a tentativa de Norbert Elias de desmistificar a ideia de gênio nato sobre Mozart, muitas vezes usando da psciologia, e a sua análise por um viés social do ambiente no qual viveu o artista. O livro é uma obra inacabada do autor, que, no entanto, nos serve a muitas questões no que diz respeito ao papel e ao valor do músico na sociedade e ao próprio mercado musical, entre outras.

Alguns pontos levantados no texto podem ser trazidos para o momento atual, como:

  • A música financiada pelo Estado – músicos, projetos e coletivos que sobrevivem por meio de editais e verba pública. Qual é o poder de autonomia desses projetos?
  • A relação artista e público – a música para servir e entreter x o poder de sublimação da criação artística livre
  • A relação Establishment x Outsiders comparada, o establishment como as grandes corporações midiáticas e os outsiders como os selos independentes, por exemplo.

*Mozart, sociologia de um gênio / Norbert Elias; organizado por Michael Schrõter; tradução, Sérgio Góes de Paula; revisão técnica, Renato Janine Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995. 


19 de agosto de 2012

CD, EP, Full length, Demo, Single o que cada um quer dizer?

EP Jar of Flies, Alice in Chains, 1994, 1° lugar nos charts da Billboard

É comum que pessoas ligadas à area músical façam uso, ou se deparem constantemente, com esses termos, em publicações especializadas, nas redes sociais, no vocabulário popular e etc. No entanto nem sempre sabemos o que cada um pretende dizer. Quando uma banda lança um “EP”, isso quer dizer um “álbum”, um “single” ou uma “demo”?

Vamos começar pelo CD, que é o termo mais comum. Um CD, abreviatura de Compact Disc, é um disco óptico usado para gravar dados digitais, músicas, arquivos de texto, imagens, jogos etc. CDs padrão têm um diâmetro de 120 milímetros e podem armazenar até 80 minutos de áudio sem compressão ou 700 Mb de dados. O CD passou rapidamente a ser o suporte predominante na comercialização de música gravada, substituindo em grande parte os discos de vinil e as fitas K7.

Diferentes do CD os discos de vinil tinham tamanhos e rotações variadas, foi com o LP, “Long Play”, disco de 12 polegadas, 31 cm de diâmetro, sua capacidade normal era de cerca de 20 minutos por cada lado, que foi inaugurada a ideia do “Álbum”. O termo é remanescente dos tempos dos discos de 10 polegadas e 78 rpm, quando eles eram empacotados e vendidos juntos em livros que lembravam álbuns de fotografia.

Um “Full length” (comprimento inteiro, tradução literal) é um álbum completo, hoje um CD comporta até 80 minutos de áudio, o que não quer dizer que para uma banda ou um artista gravar um “full length” ele tenha que compor uma hora e 20 minutos de música. De acordo com a UK Charts*, uma gravação conta como um álbum full length se ela tiver mais de 4 faixas ou pelo menos 25 minutos de duração.

Em 1952, para competir com os LPs da Columbia Records, a RCA lança o “Extended Play”, o EP. Embora seu tamanho variasse com o passar do tempo, sua capacidade girava em torno de 8 minutos por cada lado e cada EP continha em torno de 4 faixas. Um fato interessante foi que a primeira banda a alcançar o número 1 nos charts da Billboard com um EP foi o Alice in Chains, em 1994, com o Jar of Flies.

Comercialmente os EPs não parecem muito interessantes, no entanto, esse formato é muito usado por bandas que gravam e lançam seu material de forma independente na internet atualmente. 

Single X Demo

Na maioria dos casos um "single" é uma canção que é lançada separadamente de um álbum e que geralmente aparece nele. Normalmente são as músicas mais populares lançadas para usos promocionais, como em rádios e vídeoclipes.

As “demos”, abreviatura de “demonstration”, são a forma como bandas e artistas mostram previamente seus trabalhos, suas composições e/ou ideias. Pode ser uma gravação de referência, antes do lançamento oficial de uma música, normalmente são gravações feitas com equipamentos mais rudimentares como, gravadores de voz, softwares mais simples e computadores pessoais.

Vale ressaltar que hoje em dia o mercado musical não depende mais exclusivamente da indústria, logo não precisa mais estar preso e esses formatos propostos, muitas vezes por uma limitação técnica, a princípio, mas também por uma padronização comercial. Uma vez o que CD como suporte físico de música gravada não é mais o principal produto para a distribuição de música, as bandas podem trabalhar apenas com singles ou EPs, ou o que for mais interessante na forma como administram seu público e suas performances. 

*http://en.wikipedia.org/wiki/UK_Album_Chart




Referências

AMARAL, A. Práticas de Fansourcing. Estratégias de mobilização e curadoria musical nas plataformas musicais. In: SÁ, Simone (org). Rumos da Cultura da Música. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2010

http://en.wikipedia.org/wiki/Album
http://pt.wikipedia.org/wiki/Disco_de_vinil

9 de agosto de 2012

Exposição "Maldita 3.0" comemora os 30 anos da Rádio Fluminense FM (até 12/8)



A exposição comemora os 30 anos da Rádio Fluminense FM e mostra ao público um valioso material histórico do período em ficou no ar.

Formada exclusivamente por uma programação “rock and roll” e com um time de locutoras à frente dos microfones, numa atitude até então ousada para o dial brasileiro, a Rádio Fluminense FM - apelidada pelos seus criadores de “Maldita” - entrou no ar oficialmente no ano de 1982. Em seus primeiros anos de funcionamento, a Fluminense teve como missão dar voz à geração de 1980. Bandas, como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho, Kid Abelha, Lobão, Plebe Rude e tantos outros grupos independentes, mostraram seus primeiros trabalhos nos estúdios da Rádio.

A Exposição “Maldita 3.0” não só celebra a data histórica dos 30 anos com seus ouvintes, mas também presta uma homenagem a todos aqueles profissionais que ajudaram na sua construção, ao longo dos anos de funcionamento da Rádio, bem como agradece a todos os produtores culturais e transgressores que estiveram ligados à Maldita, mesmo indiretamente, mas que ajudaram na realização de um grande sonho.

A mostra pretende aproximar o visitante do universo da Maldita, apresentando painéis com bate-papos entre ex-integrantes, jornalistas e produtores culturais, além de todo o acervo da Rádio, como fotos, objetos, documentos, livros, gravações de entrevistas, prêmios, discos promocionais e filmes. O público vai poder ver a remontagem do primeiro estúdio da Rádio, com equipamentos originais da época, e a exibição do curta-metragem “A Maldita”.

A exposição reúne fotos inéditas, tiradas ao longo dos anos de funcionamento da Rádio, e uma série de fotos da primeira edição do festival Rock in Rio, pertencentes ao acervo do Festival. Entre os objetos expostos e autografados exclusivamente para a Rádio por bandas, estão guitarras de Oasis, Echo and The Bunnymen, da Legião Urbana, da Plebe Rude; a bateria de Foo Fighters; o violão da cantora Cássia Eller e Skate do Beastie Boys autografado pelos seus integrantes, incluindo o falecido MCA.

Confira aqui a "Mixtape Maldita" e mate um pouca da saudade da rádio que tocava ROCK
http://www.maldita30.com/#

Serviço:

Exposição: “Maldita 3.0”
Abertura: 11 de julho, ás 19h (para convidados)
Visitação: 12 de julho a 12 de agosto de 2012 – ter a dom, das 12 às 19h – GRÁTIS – Cass. Livre
Local: Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro) - 2253-1580
Realização: Centro Cultural Correios
Curadoria e produção: Alessandro ALR

7 de agosto de 2012

"Too sexy for Metal?" novo post do Rockalogy e Menina Headbanger

"Too sexy for Metal?" novo post do Rockalogy e Menina Headbanger Pensando um pouco a moda feminina dentro do Metal.Participação de Aline Madelon, The Kinkers e loja Metal Fatality e Fernanda Cals das bandas Impacto Profano e Trinnity.

3 de agosto de 2012

Levantamento de Bandas do Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro_Mês 1 (Jul/Ago 2012)

Acaba de ser divulgada a primeira prévia do Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades de Gêneros que vem sendo realizado pelo MUC, Movimento Underground Carioca. A amostragem de bandas ainda é pequena, mas o número de bandas cadastradas tem aumentado consideravelmente, essa é uma iniciativa que visa mapear e conhecer melhor a cena do Estado.
Nesta primeira prévia já é possível visualizar alguns dados:

Total de bandas pelo Estado [que se inscreveram]: 49
51% são da cidade da capital.
Thrash Metal está em primeiro em ralação aos gêneros, Thrash/Death Metal em segundo e Death Metal  e Hardcore estão emparados em terceiro lugar. 

Confira:

Prévia do Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades e Gêneros

Julho 2012 - Agosto 2012 Mês 1


Número total de bandas: 49

Bandas por cidade:
(ver imagem)


Bandas por gêneros:
(ver imagem)



Bandas:

37NF
52x
Água Brava
Amnesia
Ayam
Baga
Clube das Ovelhas Negras - CDON
Coldblood
Comando Delta
Contratake
Diva
Glasswalker
Hatefulmurder
Infinity to One
Innocence Lost
Lacerated and Carbonized
Las Calles
Left Hand
Lethal Dose
Levante!
Louder Addiction
Magnetron
Meridium
Mistrust
Mutterschiff
Never Fallback
Pandemonium
Personal Die
Pesecuter
Prophecy
Scatha
Sepulnation
Seu mundo hoje... (SxMxHx)
Severe Disgrace
Signatus
Statik Majik
Stodgy
Tamuya Thrash Tribe
Terrorstorm
Tevadom
Thrashera
Tio Tosco
Uncaved
Unmasked Brains
Upside Down
Vingador
Vociferatus
Vodkaos
We Die!

Se sua banda ainda não está incluída, preencha o formulário:



O Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades e Gêneros é uma Realização do MUC_Movimento Underground Carioca


Para mais informações:
http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/levantamento.html

Contato:
movimentoriounderground@gmail.com

Coordenação: Natália Ribeiro

Fonte: http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/acompanhamento-lbrj.html

24 de julho de 2012

Seminário Forcaos 2012 – “As Mulheres no Metal”



O seminário aconteceu no dia 21 de julho no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza/CE. As convidadas a participarem do debate foram: Aline Madelon (CE), vocalista da banda “Kinckers” e proprietária da loja “Metal Fatality” [localizada na galeria do rock no centro de Fortaleza], Marly Cardoso (SP) vocalista da banda de Grindcore “No Sense” do início dos anos 90 em Santos/SP e eu Natália Ribeiro “Rockalogy” (RJ), coordenadora do Movimento Underground Carioca, MUC, editora/produtora do web canal “Metal Busted!” e blog Rockalogy.

O evento é parte da programação do festival Forcaos, que em 2012 teve sua 14ª edição. Além dos seminários e dos shows do Festival em si, teve ainda a “1ª Bicicletada Forcaos”, fazendo o percurso de locais que abrigaram o rock e o heavy metal na cidade de Fortaleza nos anos de 1990 e inicio dos anos 2000, além de ser uma forma de protesto contra a falta de ciclovias e de mobilidade para os ciclistas na cidade. 

Mediado por Abda Medeiros e Mary Pimentel o seminário focou nas diferentes trajetórias das participantes e em como tem sido, até então, as suas relações com a cena Metal. O público considerável para uma ensolarada tarde de sábado na “terra do Sol”, mostrou que os headbangers de Fortaleza se preocupam em participar ativamente e pensar questões relacionadas à cena Metal.

O que se pode concluir do debate é que apesar do Metal ser um gênero majoritariamente masculino; a maioria dos músicos são homens, as bandas de maior destaque são bandas compostas só por homens [neste sentido não é muito diferente de outros gêneros musicais], além das temáticas e de características próprias do Metal como “o peso” a “agressividade”, que são mais facilmente ligadas ao universo masculino; as meninas têm conquistado seu lugar na cena.

O depoimento da Marly Cardoso foi muito importante, pois nos mostrou que nem sempre foi assim, e que esse espaço que temos hoje é fruto de uma evolução e de uma luta. Quando no final dos anos 80, ela formou o No Sense, como vocalista de uma banda de Grindcore [imagine isso na época], com menos de 15 anos de idade, ela tinha de se vestir como um menino, com roupas largas e cabelo raspado na lateral, caso contrário ela não seria “levada a sério” pelos meninos. Se você queria ser considerada na cena como uma headbanger e não como um “caça cabeludo” ou “Maria palheta”, não podia por batom, maquiagem nem salto alto, a vaidade não era bem vinda.

Hoje, mais do que conseguirem seu espaço, podendo expressar a sua feminilidade e serem headbangers ao mesmo tempo, as meninas estão cada vez mais presentes, indo aos shows, montando bandas, trabalhando em iniciativas voltadas para o underground e etc. desta forma adicionando novas visões à cena e ao próprio Metal, trazendo novos elementos, novas sensibilidades, o que só vem para acrescentar, pois o Metal é isso um gênero em constante evolução, em constante mudança.



O resultado do seminário foi tão bom que os homens sentiram-se até um pouco intimidados com a força das mulheres na cena e para o próximo ano querem que o tema seja “Os Homens no Metal”, (rs). Brincadeiras a parte, eu só tenho a agradecer pelo convite e dizer que foi uma honra poder participar, tanto minhas colegas de banca quanto todos da produção do Forcaos são pessoas maravilhosas, batalhadoras e que amam o Metal e a cena underground. Não posso esquecer das pessoas que foram prestigiar e das pessoas que registraram nosso debate e que tanto colaboraram, muito obrigada.

Longa vida ao Forcaos!













O ForCaos no espaço Dragão do Mar



Para mais fotos e mais informações do festival acessar:
http://www.facebook.com/FanForCaos
http://whiplash.net/materias/entrevistas/158876.html

16 de julho de 2012

As Meninas Do Metal_Jeffrey Jensen Arnett, trad. Natália R Ribeiro


As Meninas Do Metal_Jeffrey Jensen Arnett, trad. Natália R Ribeiro




Referência bibliográfica
ARNETT, Jeffrey Jensen _ Metalheads : heavy metal music and adolescent alienation. Boulder: Westview Press, 1996.

Tradução livre feita por Natália Ribeiro editora do blog Rockalogy (rockalogy.blogspot.com), contato ribeironatalia3@hotmail.com


12 de julho de 2012

Levantamento de bandas do Estado do Rio de Janeiro


Foi iniciado ontem o projeto "Levantamento das bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por gêneros e cidades" pelo MUC, Movimento Underground Carioca. Buscando um maior um maior conhecimento da cena carioca, conhecendo melhor a sua dimensão e como ela se divide por territórios. É imprescindível que as bandas colaborem enviando seus dados, são apenas 5 perguntinhas básicas.
As informações obtidas serão compartilhadas no blog e podem servir como justificativa, ou argumento em projetos voltados para a área de cultura e produção de eventos por exemplo. Convido a todos que tem banda a participarem, sei que a cena carioca pode bem maior do que imaginamos.

Mais informações: http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/levantamento.html

7 de julho de 2012

Heavy Metal e Psicodelia

Judas Priest, 1974

Existe um consenso de que o “marco de criação do Heavy Metal” é o lançamento do “Black Sabbath” primeiro disco, homônimo, da banda Black Sabbath, em 13 de Fevereiro [uma sexta-feira] de 1970. Mas, essa é uma simplificação, que apesar de eficiente, não explica o contexto no qual ele foi sendo desenvolvido. Na verdade a “criação” do Heavy Metal e de qualquer outro gênero musical é parte de um processo.

Deena Weinstein em seu livro “Heavy Metal, The Music and Its Culture” descreve de forma básica a dinâmica desse processo:
“A princípio, o que mais tarde irá se tornar o código do gênero, aparece em canções isoladas. Em seguida, o trabalho de uma banda ou um aglomerado de bandas começa a exemplificar este código. Finalmente, a regra para a geração da música tocada por tais bandas são conscientemente reconhecidas e tornam-se um código para que outros possam emular.” (WEINSTEIN, 1991 p.14)
Logo, as raízes familiares do Metal encontram-se dispersas em diferentes gêneros, como Blues, Rock n’ Roll, Jazz e o que mais tarde ficou conhecido como “Rock Psicodélico” [entre outros]. Influências do rock psicodélico podem ser notadas nos primeiros trabalhos de algumas bandas e artistas que mais tarde foram mais associados ao metal.

Exemplos:

Judas Priest em seu primeiro trabalho "Rocka Rolla" de 1974



Além dos elementos estritamente musicais, reparem nas roupas, na performance de palco. Pouca coisa sobrou do visual, a não ser os cabelos compridos.

Motörhead também no primeiro disco "Motörhead", em 1977



Judas Priest e Motörhead foram influenciados por outros artistas e bandas, que como a autora cita, tinham em suas músicas elementos dispersos do que mais tarde seria conhecido como Heavy Metal.

Jimi Hendrix; elementos influentes musicalmente e em sua performance. A guitarra tem lugar de destaque, o som é virtuoso e poderoso.




Blue Chaeer; "Summertime Blues" do "Vincebus Eruptum", 1968, álbum de estréia da banda. "O volume alto como característica estética da música" (WEINSTEIN, 1991 p.18)





Uriah Heep; "Os vocais são psicodélicos, mas a guitarra e o ritmo são do heavy metal rock inglês" Mike Sauders para a Rolling Stone em 1972




Pink Floyd ( primeiro disco"The Piper at the Gates of Dawn", de 1969); o "art-rock"



Entre outros exemplos que poderiam estar ilustrando esse post.

O Heavy Metal se valeu de práticas, valores e atitudes que caracterizaram a geração Woodstok, "que se apropriou do jeans, da maconha e do cabelo comprido. Colocou os rock stars em pedestais, adotou uma desconfiança na autoridade social e considerou que a música é uma expressão séria e que a autenticidade era uma virtude moral essencial para os músicos de rock" (WEINSTEIN, 1991 p.18)
Assim sendo, o "Rock Psicodélico" foi um elementoimportante [de vários] na formação do Metal como o conhecemos hoje.

Bibliografia: Weinstein, D. (1991) Heavy Metal: The Music and its Culture, New York: De Capo Press.

4 de julho de 2012

A importância das camisas de banda para a cena Metal



A camisa é peça básica do vestuário de praticamente todas as pessoas, homens, mulheres e crianças, de todas as idades*. É comum que sejam estampadas e/ou coloridas e que através delas estejamos representando nosso estilo, nossas identidades, dialogando com os outros de alguma forma. Para a cena Metal e para os headbangers a camisa de banda é como um código, carregado de significados, representando o que eles são para os outros, e os distinguindo entre os do grupo.
**"O Heavy Metal é dividido internamente em um número de subgêneros distintos, definido 'cenas', algumas das quais têm uma relação antagônica à ideia de 'heavy metal' como um mainstream 'institucionalizado' (Harris 2000). No entanto, para os de fora, quase todos os membros dos vários grupos e subgrupos, pode parecer como uma única entidade homogênea, caracterizada por cabelos compridos, jeans, jaquetas de couro preto e camisetas. A camiseta tem um papel fundamental tanto na definição das fronteiras da cultura juvenil para os de fora, assim como um meio de sinalizar diferenciações importantes entre os iniciados.
(BROWN, p.72)"
Assim como ir aos eventos, conhecer as músicas, comprar os CDs, usar uma camisa de banda é uma forma de anunciar seu gosto para os outros, sendo eles de dentro, ou de fora da cena. Usar uma camisa de Metal quer dizer que de alguma forma você compactua com a cena e que desta forma, está declarando sua fidelidade ao estilo musical, daí a comparação que fazem com a ideia de uniforme. Se autoidentificando e indicando seu gosto e aspirações para os outros.

Ser identificado com um headbanger é importante, pois está ligado a ideia de autenticidade/legitimidade dentro da cena. É preciso que você seja reconhecido como um deles para fazer parte. O reconhecimento do grupo tem um valor maior do que o reconhecimento dos que não são do grupo. Não é possível anotar uma hierarquia clara entre os elementos nos diferentes grupos de headbagers, mas também não possível afirmar que ela não exista.

 Exemplo: um recém-chegado com uma camisa do Metallica, provavelmente vai ser visto com mais desconfiança do que um que chegar com a camisa do Kreator, e digamos que ele vai ser quase automaticamente aceito pelo grupo dos Thrashers se chegar com uma camisa do Nuclear Assault. O que isso quer dizer?

É que quanto mais conhecimento subcultural ele tiver [representado a primeira vista pela camisa] mais legitimado ele será pelo grupo, no entanto é preciso conseguir provar esse conhecimento, pois é comum que pessoas que também conheçam as bandas puxem assunto sobre ela. “Conseguir um aceno de aprovação ou sorriso de reconhecimento para a camisa que está vestindo provoca uma sentimento de inclusão e de ‘honra social’ (Weber).” (BROWN, p.75)

Aonde encontrar essas camisas?


Basicamente em lojas do ramo, que são raras nos centros e quase inexistentes em cidades do interior e camelôs para as bandas mais conhecidas, via internet em web stores especializadas e/ou indo a eventos e adquirindo camisetas das bandas diretamente. 

Camisetas oficiais de turnê de bandas “mainstream”, a venda nos shows “grandes” custam de R$ 50,00 a R$ 80,00 em média, o que é muito caro para os padrões brasileiros underground.

Camisetas em lojas do ramo, “rock stores”, Fnac, “web stores” e afins, custam de R$ 25,00 a R$ 50,00. Na internet é possível encontrar camisas com bandas menos conhecidas, no entanto acabam saindo mais caras por conta do valor do frete.

Camelôs, normalmente em algum canto do centro da cidade, custam de R$ 18,00 a R$ 35,00 em média, nem sempre a qualidade da estampa é boa, mas é possível achar algumas muito legais, embora só sejam encontradas bandas com mais apelo na mídia ou mais conhecidas.

Nos eventos, geralmente as bandas cobram de R$ 15,00 a R$ 25,00 por camisa, vale lembrar que embora custem mais barato, essas camisas muitas vezes podem representar um valor subcultural muito maior do que a camisa de uma banda mainstream que custou muito mais caro, pois elas representam um comprometimento maior com a cena. Como são produzidas pelas próprias bandas muitas das vezes, elas carregam um ar de exclusividade, pois não são produzidas em larga escala, e por isso também custam mais barato.

*Considero também nesse hall as baby looks, camisas mais adaptadas ao corpo feminino.

**  "Heavy metal is internally divided into a number of distinct subgenre defined ‘scenes’, some of which have an antagonistic relationship to the idea of ‘heavy metal’ as an ‘institutionalized’ mainstream (Harris 2000). Yet to outsiders, nearly all members of the various subyouth groups can appear as a homogenous entity, characterized by long hair, denims, leather jackets and black t-shirts. The t-shirt plays a key role both in defining the borders of the youth culture to those on the outside and as a means of signaling important differentiations within it to insiders." (BROWN, p.72)*


Bibliografia: BROWN, Andy _ Rethinking the subcultural commodity, The case of heavy metal t-shirt culture(s) in _ Youth cultures : scenes, subcultures and tribes / edited by Paul Hodkinson and Wolfgang Deicke. 2007

Camisa da banda carioca Unmasked Brains
Para adquirir entre em contato http://www.facebook.com/unmaskedbrains  




26 de junho de 2012

Filme: Hesher


"A influência do Metallica  no filme do diretor Spencer Susser pode ser notada de forma imediata pelas letras que consagraram o logotipo da banda e foram usadas também para o nome do filme. Além disso, várias músicas da banda, que foi uma das precursoras do thrash metal, formam a trilha sonora do filme o que é raro, já que os integrantes do Metallica não costumam autorizar o uso de suas músicas. O que faz deste filme uma exceção é que o personagem Hesher (Joseph Gordon-Levitt) foi inspirado em Cliff Burton, o genial baixista que morreu em um acidente com o ônibus da banda em 1986, e a encenação realmente lembra o músico."

Apesar de parecer visualmente e ter alguns trejeitos parecido com o do músico, a personalidade e as atitudes do personagem não condizem com a de Cliff Burton, que segundo relatos presentes em diferentes bibliografias, apresentava-se uma pessoa calma e gentil a maior parte do tempo.
O filme é uma boa pedida, com uma boa dose de humor negro mas que também pega pesado no drama, Hesher é um personagem que dá para ser chamado da cativante, embora não seja um bom exemplo para ninguém. 

FICHA TÉCNICA
Diretor: Spencer Susser
Elenco: Natalie Portman, Joseph Gordon-Levitt, Rainn Wilson, Piper Laurie, John Carroll Lynch, Audrey Wasilewski.
Produção: Lucy Cooper, Johnny Lin, Natalie Portman, Scott Prisand, Win Sheridan, Spencer Susser, Matt Weaver
Roteiro: Spencer Susser, David Michôd
Fotografia: Morgan Susser
Duração: 100 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Filmula / Corner Store Entertainment / CatchPlay / The Last Picture Company

fonte: http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/hesher/id/17458





25 de junho de 2012

IV Noise Fest _ Maio de 2008: Arquivo Underground_ Cabo Frio/RJ, Região dos Lagos

O "Noise Fest" fez história na Região dos Lagos, neste post trago para relembrar, o flyer da quarta edição que achei entre meus guardados numa gaveta esses dias. O evento acontecia no teatro municipal da cidade de Cabo Frio no Rio de Janeiro, reunindo pessoas de várias regiões. A programação era majoritariamente underground, com bandas do local e arredores, normalmente trazia um headline* que contava já com um pouco mais de visibilidade na cena, ou que vinham de outro Estado. 
Faltam fontes na internet sobre as edições anteriores, mas qualquer esforço para remontar a história do passado recente da cena da região terá de passar por esse evento, caso alguem tenha informações a acrescentar e que gostaria de colaborar de alguma forma, pode entrar em contato.

*headline = banda principal de um evento




No Youtube é possível encontrar alguns vídeos do evento:

4 de junho de 2012

O metal nacional em busca de sua identidade

Leia a matéria em: http://oglobo.globo.com/cultura/o-heavy-metal-brasileiro-que-comecou-no-para-faz-30-anos-5104458
Como na matéria publicada no dia 3 de Junho de 2012 pelo jornal O Globo, “O heavy metal brasileiro, que começou no Pará, faz 30 anos” nota-se um esforço que vem sendo feito, muitas vezes por parte dos próprios personagens, para se contar a história do “metal nacional”. São bandas tidas como pioneiras do gênero no país, como: Stress, Viper, Dorsal Atlântica, Metalmorphose, Santuário, entre outras, que estão voltando a ativa ou encabeçando projetos de “resgate” ao passado histórico.

Esse esforço vem sendo justificado por uma demanda que parte dos próprios fãs, pessoas que em muitos casos, nem fizeram parte daquele momento, mas possuem determinado apreço pela história. Isso está ligado a ideia do fã como “curadores” do acervo de memória musical informativa.*

"Uma vez que o público que tem atualmente mais de 30 anos não havia atingido  a puberdade quanto o punk estava no seu auge - muito menos quando os Kinks e os Stones estavam em sua melhor fase - essas publicações genuinamente representam uma herança para os leitores de uma faixa etária que não experimentou a música quando ela foi primeiramente lançada. O seu interesse é atiçado não pela nostalgia da sua juventude, as por um interesse no grande alcance da tradição e nos artistas 'clássicos' que definiram a configuração da música popular atual." (JENNINGS, 2007, p.35)*.

Esse tipo de prática está relacionadas às negociações de identidade e do capital subcultural (AMARAL, 2010, p.18), que são reforçadas com as práticas comunicacionais possibilitadas pela internet. Neste sentido a busca por sua história está diretamente ligada à questão da identidade, logo, esse “esforço” de historicização reflete uma necessidade de auto-afirmação do gênero no que diz respeito á sua produção “nacional”, neste caso, o Brasil.

Mesmo com mais de 30 anos de história o “Metal Nacional” enfrenta ainda um série de empecilhos que dificultam sua definição, seja a língua, o fato de circular majoritariamente no underground ou de utilizar-se de meios alternativos de circulação. O Metal não é um gênero reconhecido como tipicamente brasileiro, a exemplo do Samba, então o que definiria o “Metal Nacional”?

Essa pergunta há de ser respondida com base em negociações por parte dos fãs, e pessoas preocupadas em discutir a definição do termo, pois não é algo dado. A meu ver o Metal Nacional é aquele produzido por músicos brasileiros, seja em português, inglês ou qualquer outra língua. O Metal guarda uma forte identidade global, o que lhe permite se libertar mais facilmente de algumas “barreiras” geográficas e culturais.

Outro ponto que tenho a adicionar é que a preocupação com a base histórica é importante, mas também é preciso reconhecer os esforços que vem sendo realizados atualmente, manter um olhar para o futuro da cena.


Bibliografia:

*Tradução feita por Adriana Amaral para o artigo AMARAL, A. Práticas de Fansourcing. Estratégias de mobilização e curadoria musical nas plataformas musicais. In: SÁ, Simone (org). Rumos da Cultura da Música. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2010
disponível em: http://palavrasecoisas.files.wordpress.com/2010/07/prc3a1ticas-de-fansourcing1.pdf

JENNINGS, David, Net, blogs and rock n' roll. How digital Discover works and what it means for consumers, creators and culture. Boston: Nicholas Brealey Publishing, 2007.


22 de maio de 2012

Rockalogy no ForCaos 2012, um dos maiores eventos underground do Nordeste




Nos dias 20 e 21 de julho, acontece a 14ª edição do ForCaos, um dos maiores eventos underground do Nordeste, ocorrendo simultaneamente no Centro Cultural Banco do Nordeste e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura com a realização de seminários, passeio ciclístico e apresentações musicais.

O Seminário ForCaos 2012, contará com duas mesas, a primeira discute “Música, Direito Autoral e o papel do ECAD”, tendo como orador principal Alexandre Negreiros doutorando em Políticas Públicas, Estratégia e Desenvolvimento, programa interdisciplinar stricto sensu do instituto de Economia da UFRJ. A segunda traz uma discussão sobre “A mulher no Rock e Heavy Metal” com a musicista e advogada Marly Cardoso (SP), Natália Ribeiro, coordenadora do Movimento Underground Carioca, produtora da Web TV Metal Busted, editora do blog Rockalogy e Alinne Madelon, vocalista da banda The Knickers e proprietária da loja Metal Fatality.

Outra atividade do evento é a 1ª Bicicletada do ForCaos, percorrendo espaços culturais ligados ao rock nas décadas de 1990 e 2000, sediados no Benfica e Centro da Fortaleza como Cidadão do Mundo e Casarão Cultural, bem como na Praia de Iracema onde destacamos o Padang Padang, Jokerman, Noise 3D, Hey Ho Rock Bar entre outros. Na ocasião, os ciclistas irão conhecer um pouco da história de cada um desses locais através de um catálogo com informações, fotos e documentos da época guiados por pesquisadores ligados a Associação Cultural Cearense do Rock (ACR) e universidades. A bicicletada acontece no dia 14 de julho.

Também estão previstas 28 (vinte oito) apresentações musicais de bandas de diferentes regiões do país e dos mais variados estilos e matizes. Os shows acontecem no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e no Centro Cultural Banco do Nordeste.

O evento integra a campanha “Crack tô fora: a única pedra que rola é o Rock!!”.
Os grupos poderão enviar material físico até o dia 6 de junho.

Mais informações: forcaos2012@gmail.com