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13 de dezembro de 2012

Freeze! EP, Vakan - Resenha



Freeze! - Vakan
EP: Freeze!
Banda: Vakan
Santa Maria – RS

Matheus Oliveira, vocal
Alexandre Marinho, guitarra
Carlos L. Schmitt, baixo
Lucas Oliveira, bateria

EP de quatro faixas, calcado na sonoridade Heavy Metal possui diferentes momentos que podem agradar desde fãs de Rock 'n' Roll àqueles que preferem passagens mais pesadas e de certa profundidade.  “Moving On”, a quarta faixa do EP, deveria estar abrindo o trabalho, pois além de trazer o título em seu refrão, é uma das mais vigorosas do álbum e junto com “Curtain Call” parecem dizer mais diretamente ao que a banda veio.

As pessoas gostam de saber o que estão ouvindo desde um primeiro momento, gostam de identificar elementos, conseguir estabelecer uma direção à sua escuta e a Vakan em “Freeze!” consegue proporcionar isso sem soar repetitivo, ou parece algo meio sem descrição que saiu de um liquidificador cheio de influências variadas.

Como todo primeiro trabalho, "Freeze!" é uma pequena amostra do que a banda virá a ser, o que não quer dizer que sejam composições menores, pelo contrário, dependendo do caminho que a banda pretende seguir essas quatro faixas podem se tornar clássicas em sua trajetória. Em alguns momentos o vocal poderia ser mais vigoroso, em outros os solos de guitarra parecem não encaixar totalmente na música, mas isso não chega a influenciar na obra como um todo, se é que podemos pensar assim em tempos em que a ideia de álbum parece cada vez fazer menos sentido.

A parte visual do material poderia ser melhor trabalhada, tipografias, imagens poderiam ser mais exploradas, mas isso não chega a pesar tanto numa avaliação pois o que importa mesmo no final das contas é conteúdo, estou cansada de ver bandas com um trabalho visual incrível e com um som medíocre.

Gostaria de ter a oportunidade de conferir a banda ao vivo, pois para mim essa é verdadeira prova de fogo, mas só posso falar no momento sobre o EP e esse eu recomendo, principalmente para fãs de Heavy Metal. Espero que a banda siga seu cronograma e nos apresente novas composições logo em breve, as expectativas, a contar com “Freeze!” são as melhores.

Links
http://www.facebook.com/VakanOfficial

Por: Natália Ribeiro "Rockalogy"

26 de outubro de 2012

Programa piloto da Radio MUC no ar


Está no ar o primeiro programa da Radio MUC, uma parceria do Movimento Underground Carioca, blog Rockalogy e Busted! Produções. O programa em formato podcast tem por objetivo divulgar a cena do Estado do Rio de Janeiro e dar vazão ao grande volume de produções que acontecem nesse meio.
Em clima experimental o programa #00 vem apresentar um pouco da proposta da rádio e convidar bandas e agentes da cena a colaborarem, a ideia é divulgar o que há de melhor na cena metal do Estado, dando suporte a divulgações, projetos e iniciativas que buscam dar visibilidade e uma maior articulação à cena underground.

Confiram:





Nesta edição temos
Syren, Vingador, Statik Majik (Versão Live Busted!), Vociferatus e Scatha

Levantamento de Bandas por Cidades e Gêneros – Faça parte

http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/acompanhamento-lbrj.html


Mais informações na página

3 de agosto de 2012

Levantamento de Bandas do Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro_Mês 1 (Jul/Ago 2012)

Acaba de ser divulgada a primeira prévia do Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades de Gêneros que vem sendo realizado pelo MUC, Movimento Underground Carioca. A amostragem de bandas ainda é pequena, mas o número de bandas cadastradas tem aumentado consideravelmente, essa é uma iniciativa que visa mapear e conhecer melhor a cena do Estado.
Nesta primeira prévia já é possível visualizar alguns dados:

Total de bandas pelo Estado [que se inscreveram]: 49
51% são da cidade da capital.
Thrash Metal está em primeiro em ralação aos gêneros, Thrash/Death Metal em segundo e Death Metal  e Hardcore estão emparados em terceiro lugar. 

Confira:

Prévia do Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades e Gêneros

Julho 2012 - Agosto 2012 Mês 1


Número total de bandas: 49

Bandas por cidade:
(ver imagem)


Bandas por gêneros:
(ver imagem)



Bandas:

37NF
52x
Água Brava
Amnesia
Ayam
Baga
Clube das Ovelhas Negras - CDON
Coldblood
Comando Delta
Contratake
Diva
Glasswalker
Hatefulmurder
Infinity to One
Innocence Lost
Lacerated and Carbonized
Las Calles
Left Hand
Lethal Dose
Levante!
Louder Addiction
Magnetron
Meridium
Mistrust
Mutterschiff
Never Fallback
Pandemonium
Personal Die
Pesecuter
Prophecy
Scatha
Sepulnation
Seu mundo hoje... (SxMxHx)
Severe Disgrace
Signatus
Statik Majik
Stodgy
Tamuya Thrash Tribe
Terrorstorm
Tevadom
Thrashera
Tio Tosco
Uncaved
Unmasked Brains
Upside Down
Vingador
Vociferatus
Vodkaos
We Die!

Se sua banda ainda não está incluída, preencha o formulário:



O Levantamento de Bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por Cidades e Gêneros é uma Realização do MUC_Movimento Underground Carioca


Para mais informações:
http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/levantamento.html

Contato:
movimentoriounderground@gmail.com

Coordenação: Natália Ribeiro

Fonte: http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/acompanhamento-lbrj.html

12 de julho de 2012

Levantamento de bandas do Estado do Rio de Janeiro


Foi iniciado ontem o projeto "Levantamento das bandas de Rock e Metal do Estado do Rio de Janeiro por gêneros e cidades" pelo MUC, Movimento Underground Carioca. Buscando um maior um maior conhecimento da cena carioca, conhecendo melhor a sua dimensão e como ela se divide por territórios. É imprescindível que as bandas colaborem enviando seus dados, são apenas 5 perguntinhas básicas.
As informações obtidas serão compartilhadas no blog e podem servir como justificativa, ou argumento em projetos voltados para a área de cultura e produção de eventos por exemplo. Convido a todos que tem banda a participarem, sei que a cena carioca pode bem maior do que imaginamos.

Mais informações: http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/p/levantamento.html

4 de julho de 2012

A importância das camisas de banda para a cena Metal



A camisa é peça básica do vestuário de praticamente todas as pessoas, homens, mulheres e crianças, de todas as idades*. É comum que sejam estampadas e/ou coloridas e que através delas estejamos representando nosso estilo, nossas identidades, dialogando com os outros de alguma forma. Para a cena Metal e para os headbangers a camisa de banda é como um código, carregado de significados, representando o que eles são para os outros, e os distinguindo entre os do grupo.
**"O Heavy Metal é dividido internamente em um número de subgêneros distintos, definido 'cenas', algumas das quais têm uma relação antagônica à ideia de 'heavy metal' como um mainstream 'institucionalizado' (Harris 2000). No entanto, para os de fora, quase todos os membros dos vários grupos e subgrupos, pode parecer como uma única entidade homogênea, caracterizada por cabelos compridos, jeans, jaquetas de couro preto e camisetas. A camiseta tem um papel fundamental tanto na definição das fronteiras da cultura juvenil para os de fora, assim como um meio de sinalizar diferenciações importantes entre os iniciados.
(BROWN, p.72)"
Assim como ir aos eventos, conhecer as músicas, comprar os CDs, usar uma camisa de banda é uma forma de anunciar seu gosto para os outros, sendo eles de dentro, ou de fora da cena. Usar uma camisa de Metal quer dizer que de alguma forma você compactua com a cena e que desta forma, está declarando sua fidelidade ao estilo musical, daí a comparação que fazem com a ideia de uniforme. Se autoidentificando e indicando seu gosto e aspirações para os outros.

Ser identificado com um headbanger é importante, pois está ligado a ideia de autenticidade/legitimidade dentro da cena. É preciso que você seja reconhecido como um deles para fazer parte. O reconhecimento do grupo tem um valor maior do que o reconhecimento dos que não são do grupo. Não é possível anotar uma hierarquia clara entre os elementos nos diferentes grupos de headbagers, mas também não possível afirmar que ela não exista.

 Exemplo: um recém-chegado com uma camisa do Metallica, provavelmente vai ser visto com mais desconfiança do que um que chegar com a camisa do Kreator, e digamos que ele vai ser quase automaticamente aceito pelo grupo dos Thrashers se chegar com uma camisa do Nuclear Assault. O que isso quer dizer?

É que quanto mais conhecimento subcultural ele tiver [representado a primeira vista pela camisa] mais legitimado ele será pelo grupo, no entanto é preciso conseguir provar esse conhecimento, pois é comum que pessoas que também conheçam as bandas puxem assunto sobre ela. “Conseguir um aceno de aprovação ou sorriso de reconhecimento para a camisa que está vestindo provoca uma sentimento de inclusão e de ‘honra social’ (Weber).” (BROWN, p.75)

Aonde encontrar essas camisas?


Basicamente em lojas do ramo, que são raras nos centros e quase inexistentes em cidades do interior e camelôs para as bandas mais conhecidas, via internet em web stores especializadas e/ou indo a eventos e adquirindo camisetas das bandas diretamente. 

Camisetas oficiais de turnê de bandas “mainstream”, a venda nos shows “grandes” custam de R$ 50,00 a R$ 80,00 em média, o que é muito caro para os padrões brasileiros underground.

Camisetas em lojas do ramo, “rock stores”, Fnac, “web stores” e afins, custam de R$ 25,00 a R$ 50,00. Na internet é possível encontrar camisas com bandas menos conhecidas, no entanto acabam saindo mais caras por conta do valor do frete.

Camelôs, normalmente em algum canto do centro da cidade, custam de R$ 18,00 a R$ 35,00 em média, nem sempre a qualidade da estampa é boa, mas é possível achar algumas muito legais, embora só sejam encontradas bandas com mais apelo na mídia ou mais conhecidas.

Nos eventos, geralmente as bandas cobram de R$ 15,00 a R$ 25,00 por camisa, vale lembrar que embora custem mais barato, essas camisas muitas vezes podem representar um valor subcultural muito maior do que a camisa de uma banda mainstream que custou muito mais caro, pois elas representam um comprometimento maior com a cena. Como são produzidas pelas próprias bandas muitas das vezes, elas carregam um ar de exclusividade, pois não são produzidas em larga escala, e por isso também custam mais barato.

*Considero também nesse hall as baby looks, camisas mais adaptadas ao corpo feminino.

**  "Heavy metal is internally divided into a number of distinct subgenre defined ‘scenes’, some of which have an antagonistic relationship to the idea of ‘heavy metal’ as an ‘institutionalized’ mainstream (Harris 2000). Yet to outsiders, nearly all members of the various subyouth groups can appear as a homogenous entity, characterized by long hair, denims, leather jackets and black t-shirts. The t-shirt plays a key role both in defining the borders of the youth culture to those on the outside and as a means of signaling important differentiations within it to insiders." (BROWN, p.72)*


Bibliografia: BROWN, Andy _ Rethinking the subcultural commodity, The case of heavy metal t-shirt culture(s) in _ Youth cultures : scenes, subcultures and tribes / edited by Paul Hodkinson and Wolfgang Deicke. 2007

Camisa da banda carioca Unmasked Brains
Para adquirir entre em contato http://www.facebook.com/unmaskedbrains  




25 de junho de 2012

IV Noise Fest _ Maio de 2008: Arquivo Underground_ Cabo Frio/RJ, Região dos Lagos

O "Noise Fest" fez história na Região dos Lagos, neste post trago para relembrar, o flyer da quarta edição que achei entre meus guardados numa gaveta esses dias. O evento acontecia no teatro municipal da cidade de Cabo Frio no Rio de Janeiro, reunindo pessoas de várias regiões. A programação era majoritariamente underground, com bandas do local e arredores, normalmente trazia um headline* que contava já com um pouco mais de visibilidade na cena, ou que vinham de outro Estado. 
Faltam fontes na internet sobre as edições anteriores, mas qualquer esforço para remontar a história do passado recente da cena da região terá de passar por esse evento, caso alguem tenha informações a acrescentar e que gostaria de colaborar de alguma forma, pode entrar em contato.

*headline = banda principal de um evento




No Youtube é possível encontrar alguns vídeos do evento:

15 de maio de 2012

Tatuagens, Piercings e Alargadores na Cena Metal



Post revisitado e agora com bibliografia disponível em:

Num evento underground é notável o grande número de pessoas que possuem algum tipo de marca corporal, tal como piercing e tatuagem, e justamente por ser algo notável é que se faz relevante um esforço para entendermos melhor esse fenômeno e como ele se relaciona com a cena.

As marcas corporais possuem uma longa história. Até o século XVIII no Ocidente eram violentamente combatidas e condenadas pela igreja, que considerava uma blasfêmia, pois, se o corpo foi feito à imagem e semelhança de Deus, modificar essa imagem equilave a desfigurar sua “perfeição natural”, segundo a tradição judaico-cristã as diversas marcas permanentes do corpo distinguiam o pagão do crente, o ímpio do fiel. Durante o período medieval elas estiveram intrinsecamente ligadas às culturas pagãs e carregavam significados mágicos e protetores, assim como esteve presente entre povos bárbaros (povos guerreiros), como os Celtas e os Vikings. 

“No final do século XVIII que as marcas corporais começaram a popularizar-se no contexto da sociedade ocidental européia”.* Na época das expedições marítimas, colonização, da descoberta de novos continentes as tripulações desses navios entravam em contato com os povos nativos, estes marcados corporalmente. “A tatuagem e o brinco passaram, então, a constituir uma importante parcela simbólica da experiência de navegação (...)”

A partir daí as marcas corporais ganharam cada vez mais esse sentido de estigma, no sentido de quem as porta ser socialmente mal visto. De uma “sociedade selvagem”, e nesse sentido inferior, como símbolo pagão e marginalizado (seu processo de importação e apropriação localizou-se em grande média nos guetos das culturas populares urbanas, entre marinheiros, estivadores, prostitutas, membros de gangs, entre outros*) de exóticas, no século XX, passaram a serem tomadas como expressão corporal de patologia criminal, solidificando ainda mais o estereótipo negativo.

Marcas corporais também foram usadas para diferenciarem indivíduos livres de indivíduos submetidos; escravos, “trabalhadores”de campos de concentração, presidiários. Estes últimos em especial deram um novo valor simbólico às marcas, quando começaram a incorporá-las voluntariamente fazendo correspondência a um ato de resistência aos processos de disciplinaçao do sujeito. As tatuagens ganharam assim um valor de rebelião, de contestação social.

Por mais que a sociedade lutasse contra as marcas elas ganharam crescente sucesso depois da II Guerra Mundial, sendo apropriadas por subculturas, tribos, grupos e cenas, mas é claro, num novo contexto. As marcas corporais começam a ser incorporadas a cultura dominante como formas de expressão pessoal e de singularizaçao social*, não mais daquela forma quando as marcas designavam uma coletividade e eram identificados por ela socialmente de forma clara e precisa. Hoje elas têm estão mais ligadas à exclusão do que a inclusão na sociedade como um todo. 

Mas cada vez mais a tatuagem e o piercings, e outras formas de modificação, como o stretching (ou dilatação) tem ganhado mais adeptos e eles são de toda ordem, jovens, adultos, pobre, ricos, com ensino superior, “patricinhas” (como consta numa entrevista do artigo), funkeiros, mães e pais, headbangers, empresários, artistas de cinema etc. 

A incorporação das marcas pelo star-sistem musical, funcionou como meio de relativa aceitação e familiarização social com as marcas corporais (...) ,sobretudo sobre os segmentos mais jovens, para quem freqüentemente essas celebridades constituem referencias culturais identitárias”(soma-se a isso a popularização dos estúdios de tatuagem e a regulamentação dos mesmo, sem esquecer da invenção da máquina de tatuar elétrica, em 1980). A marcas acabam sendo desmistificadas, perdendo parte dessa aura de marginalidade e exotismo, porém sem perder o remanescente expressivo de diferença e de singularidade social.

O underground é onde as tribos se reúnem, cada tribo tem sua característica, sua identidade. O incrível é pensar em como isso é mantido, sendo que esses grupos estão sempre em contato os outros, e em vez de haver uma homogeneização está cada vez mais segmentado (discussão para um futuro post). Tem os tatuados, os muito tatuados, os tatuados com piercing, os que tem a tatuagem seguindo um determinado estilo ou linha, os que só tem piercing, e essas marcas corporais geralmente apontam para um determinado gosto musical, uma determinada vertente, que por sua vez envolve uma “ritualística” ligada a essas marcas.

Ou seja, marcas corporais tem TUDO a ver com underground, e tem muito o que falar sobre isso ainda.

Natália R. Ribeiro

Para este post foi usado como apoio o artigo “Do Renascimento das Marcas Corporais em Contextos de Neotribalismo Juvenil – Vítor Sérgio Ferreira”, presente no livro “Tribos Urbanas: Produção Artística e Identidades – José Machado Pais e Leia Maria da Silva”.



17 de abril de 2012

Underground, To Be or Not To Be? "Odeio o termo underground" diz Edu Falaschi ao G1



O que é ser underground? Será que tem mesmo a ver com a tradução literal do termo "debaixo da terra"? O que significa "sair do underground" afinal? 

Ao que me parece, Edu Falaschi se coloca numa posição superior, e vê o underground como algo que está abaixo, repulsivo. Como se todo evento fosse em "butecos podres com som horrível", como se "sair do underground", dessa angústia (segundo ele), fosse premissa para o sucesso.

Muitos que possuem uma visão parecida vêem o underground como limbo, mas se o Almah não é underground e também não é mainstream, eu diria que este sim é um limbo. 

Cannibal Corpse, Obituary, Deicide, Krisiun são bandas que tencionam o termo, complexificam, o que eu acho muito mais produtivo, essas bandas não tem problemas com essa terminologia, pois se elas podem ser consideradas mainstream hoje, é porque o público lhes deu essa chancela, e esse público pertence majoritariamente ao underground. 

"G1 – Você sente falta de ter reconhecimento no Brasil? Não falo dos fãs do estilo, mas do público em geral... 
Falaschi – Poderia ser maior com certeza. Para as pessoas enxergarem o heavy metal como potencial, como mais um mercado – apesar de a gente cantar em inglês. Canto em inglês por uma questão estética, o estilo soa melhor em inglês. Se fosse fazer por dinheiro, eu montaria uma dupla sertaneja. Eu sou metaleiro mesmo, de alma. As pessoas tiram o sarro, pode falar, não tem problema nenhum. Sou assim desde o começo da adolescência.
G1 – Como é essa história de você não gostar do termo “underground”? 
Falaschi – Eu não gosto mesmo. Porque algumas pessoas me criticaram, depois daquele vídeo [de 2011], querendo dizer que eu nunca fiz parte do underground, que eu era um "playboyzinho" que fiquei famoso depois que entrei no Angra, então acabei falando algumas besteira porque não manjo. E outra: as pessoas que falam isso não sabem da minha história. Eu tenho 20 anos de carreira, metade disso foi no underground, que essa é coisa que só tem boteco podre, com o som podre. 
Eu fico P. porque é um termo que, se você traduzir, você está abaixo do nível da terra, do chão.  Quem fica embaixo da terra, pra mim, é morto, defunto. A gente tem que pensar grande, as bandas deveriam querer sair do underground. Eu tenho muito orgulho de ter aprendido tudo que aprendi no underground, mas eu tenho mais orgulho de ter saído dele e de hoje viver no mundo real. Esse negócio de ficar tocando num barzinho para cem pessoas ser legal – isso aí é papo furado. Se você oferecer um milhão para o cara sair dali, ele sai na hora. Metaleiro que tem esses papos às vezes: “Sou true, sou metal, tem ficar no underground, tem que ser raiz!”. Eu não posso ser raiz, vivendo bem, comendo bem, em bons restaurantes, sustentando a minha família – eu não posso ter isso? 
G1 – Você acha que esse apego ao underground, essa falta de ambição, impede de tornar a coisa maior? 
Falaschi – Isso é coisa de quem não experimentou o outro lado. O rock tem um pouco desse radicalismo, e eu tenho lutado para quebrar isso aí. O cara nunca viveu o lado bom, muitas bandas não têm referência. O que elas conhecem é o quê? É o boteco podre, com equipamento lixo, iluminação ridícula... Mas se [essas bandas] tivessem a oportunidade de tocar em lugares bons... Devia mudar para todas as bandas entenderem o que é a vida real, o que é estar do nível do chão."
Matéria completa em: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/04/odeio-o-termo-underground-diz-cantor-do-almah-e-do-angra.html

27 de janeiro de 2012

HELL DIVINE #7 - Nova edição já disponível



A sétima edição da revista online HELL DIVINE já está disponível! Desta vez, comemoramos 1 ano de existência! Essa edição é especial e conta com o histórico completo da revista, os melhores do ano e uma entrevista com o nosso designer Ricardo Thomaz!

Confira a lista de entrevistas:

Troglodyte (Estados Unidos)
Vulcano
Coldblood
Exhortation
Project 46
Sodamned
Clawn



18 de janeiro de 2012

Em Cena - Evento "Na Espinha"


Dia 14 de janeiro de 2012, mais uma vez a galera do Hardcore e do Metal é convocada a subir a colina. Num dos lugares mais improváveis para um show de Rock que eu já tive oportunidade de conhecer, aconteceu mais uma edição do "Na Espinha Underground".
A "Casa da Colina" fica na beira da estrada e não recebe esse nome atoa, fica mesmo em cima de um morro. Neste ambiente tão peculiar é que ocorre um dos eventos mais quentes da Região dos Lagos, quem sabe até do Rio de Janeiro inteiro, as imagens falam por si. Parabéns ao Allan e a todos os envolvidos na organização.
Nesta edição tivemos as bandas: 


CERVICAL (lançando seu CD Caminhos de Dor) : www.facebook.com/profile.php?id=100000468575741&ref=ts

SUBTRACTION : www.facebook.com/profile.php?id=100000451457002&ref=ts

FOKISMO - RJ (Lançando seu Ep Única Opção): www.facebook.com/profile.php?id=1157632273&ref=ts

PERSECUTER : www.facebook.com/pages/Persecuter/266816656663403?ref=ts

GOREFILIA: www.facebook.com/profile.php?id=100002442477869
*Por motivo de locomoção tive de deixar o local mais cedo e não pude presenciar/registrar a apresentação da banda Gorefilia, espero que tenhamos outras oportunidades.








10 de dezembro de 2011

A valorização das cenas musicais

Resenha crítica do texto “Indústria da música em transição”, Micael Herschmann. Apresentada no âmbito da disciplina "Modelos de Distribuição Musical" 2011/2 E.Midia UFF
Banda Solstício de Cabo Frio/RJ  http://www.facebook.com/solsticiorjhc 


A reconfiguração da indústria musical na era do download, a valorização da experiência e das cenas musicais

Em seu texto Micael Herschmann refuta a idéia de uma crise no mercado da música, cuja principal atingida seria a indústria fonográfica, ele aponta que na verdade, o mercado da música está passando por uma reconfiguração. Na busca por novos modelos de negócios, cada vez mais tem se valorizado a experiência do ao vivo e o conhecimento sobre o léxico simbólico de determinados gêneros e cenas musicais.

“É possível afirmar que jamais da história da música se produziu tanto com tanta liberdade, mas também mais do que nunca hoje os processos exitosos de distribuição, divulgação e comercialização de um repertório musical estão cada vez mais voltados para um mercado de nichos e exigem estratégias de grande complexidade” (HERSCHMANN p. 61)

O autor faz uma divisão entre a indústria musical do século XX e o momento atual no qual estamos vivendo, apontando rupturas e continuidades entre esses dois modelos, reforçando a idéia de que “a crise” se encontra na forma como era pensada a venda de produto e não na indústria musical em si, afinal nunca se produziu tanto e se consumiu tanto música como atualmente.

Com a digitalização da música e os softwares de compartilhamento a música em formato físico foi perdendo cada vez mais a sua importância. Uma vez que não era mais preciso comprar o disco ou o K7 para ter a música em sua discoteca, as “playlists” são uma reconfiguração da discoteca, o modelo de negócio que até então era praticado pelas gravadoras entra em colapso, sendo obrigadas a procurarem novas formas agenciamento.

É interessante pensarmos que não foi apenas o modelo de negócio que mudou, mas também a nossa forma de pensar a música como um produto. Em seu texto “Free: grátis o futuro dos preços, Chris Anderson apresenta o grátis como uma forma de marketing cada vez mais instituída, dizendo que ainda mais do que estratégia, o grátis passa a ser uma imposição, mesmo que a música não seja disponibilizada oficialmente, ela pode escapar por usuários que desejarem compartilhá-la com sua rede de amigos ou com o mundo.

“Onde a abundância derruba os custos de alguma coisa ao chão, o valor é transferido aos níveis adjacentes, o que o editor de Tim O’Really chama de ‘Lei da Conservação de Lucros Atrativos’.”(ANDERSON, 2009, p.53)

Herschamann observa que enquanto caem as cifras de venda de fonogramas em suporte físico, o “mercado de derivados” ganha maior relevância. É o caso dos eventos ao vivo, enquanto o disco é cada vez mais desvalorizado, as entradas de shows estão cada vez mais caras. Cada vez mais a indústria fonográfica ganha ares de “empresa de mídia”, realizando ações que buscam atender esse e “mercado adjacente”. Não se produz apenas discos, DVDs, gradualmente os negócios se estendem a produção de produtos audiovisuais para a promoção do artista, em turnês, merchandising (roupas, brinquedos, acessórios, etc.), entre outras práticas aonde a música acaba ficando, aparentemente, de lado.


Se por um lado assistimos a queda do modelo praticado até o século XX (antes do compartilhamento), vimos ganhar força e potência um novo modelo, que desde o final da década de 70 vem já vem se mostrando como alternativa ao mercado de massa, ou ao mainstream, falo de circuito independente de música, o underground. O Punk pregava o “Do It Yourself” e foi com essa ideologia que surgiram os primeiros selos independentes, assim como um circuito de produção, circulação e consumo desse material.

Segundo Herschmann o modelo atual tende a privilegiar a cultura de nichos atendendo a um mercado cada vez mais segmentado. Mas para atingir esses nichos é preciso ter o conhecimento necessário para que haja o diálogo entre o produto e o possível consumidor.

“Entretanto, muitas vezes não é percebido que os fatores culturais são vetores cruciais não apenas na ponta do processo (na forma de produto ou serviço), mas também no processo em si, e que agregam valor quando as organizações e agentes sociais buscam investir no universo simbólico que está associado a sua produção. Com isso eles abrem oportunidade para que processos de identificação e/ou mobilização de consumo se produzam de maneira mais efetiva.” (HERSCHAMNN p.75)

No entanto quem tem algum tipo de contato mais engajado com alguma cena musical independente, que configuram circuitos próprios, como o Hip-Hip, o Rock Alternativo e o Heavy Metal, sabe que essa nova prática por parte das indústrias, de valorização do conhecimento simbólico, da experiência ao vivo, dos produtos adjacentes e da comunidade, sempre foi uma realidade, não como uma forma nova de pensar o mercado, mas sim a forma de pensar o mercado.

Sem o suporte midiático essas culturas dependem de seus próprios circuitos para se estabelecerem, e os circuitos dependem da mobilização de cada um de seus agentes (bandas, produtores, público) para poderem existir. Esses atores por sua vez agem, em grande parte, por identificação à causa, pela questão do pertencimento àquele grupo, pois na maioria das vezes não existe o retorno financeiro, ou este não é satisfatório por si só (caso não houvesse a questão do reconhecimento).

Mas apesar da estratégia voltada para o nicho, e para a experiência não ser de fato nova para o circuito alternativo, os apontamentos do autor sobre um reconfiguração de mercado se fazem bastante pertinentes também para este grupo, pois este também passa por uma reconfiguração. Em meio a um número cada vez maior de artistas e bandas a grande pergunta é como se fazer ser ouvido, como levar público para os eventos. É neste momento que noto um maior diálogo do underground com as estratégias do mainstream.


Bibliografia
ANDERSON, Chris. Free: grátis: o futuro dos preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
HERSCHMANN, Micael. Indústria da música em transição. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010.


Por: Natália R. Ribeiro

11 de novembro de 2011

Projeto Documentário “Espanke 90”, entrevista com Alex Dusky, diretor


Espanke 90 from Fabiano Silva on Vimeo.

O blog Rockalogy conversou com Alex Dusky, produtor, diretor, roteirista e ex-vocalista da banda Sex Noise, sobre o lançamento do projeto “Espanke 90”, que tem a idéia de funcionar como um documentário e um registro musical por meio da reunião de 14 bandas do cenário underground dos anos 90, são elas:
Funk Fuckers, Second Come, Dash, Zumbi Do Mato, Sex Noise, Gangrena Gasosa, Djangos, Piu Piu e sua Banda, Beach Lizards, Barneys, Cabeça, Anarchy Solid Sound, Poindexter e Soutien Xiita.


De onde surgiu a ideia de fazer o documentário? Por que “Espanke 90”?


A idéia surgiu após reunir o lançamento de dois livros: “Esporro” de Leonardo Panço e “Memórias não póstumas de um punk” de Larry Antha; Um de forma jornalística e outro meio autobiográfico contando esse mundo do rock carioca nos anos 90. Essa cena era efervescente, com dezenas de bandas surgindo pela cidade, dos mais diferentes estilos e quase todas tocando juntas. Você tinha no mesmo palco: Metal, alternativo, punk...

Mas, mesmo com discos gravados, não existem muitos registros ou gravações desses shows e encontros. Já havia uma conversa entre eu e o Leonardo Panço em transformar o livro dele em documentário, aí foi juntar as bandas e desenvolver o projeto. O mais legal é o inédito de conseguir juntar essas bandas, que marcaram o rock carioca, e saber que teremos pra sempre como assistir e ouvir o que todos tem pra dizer e em HD. As bandas são: Anarchy Solid Sound, Barneys, Beach Lizards, Cabeça, Dash, Djangos, Funk Fuckers, Gangrena Gasosa, Piu-Piu e Sua Banda, Poindexter, Second Come, Sex Noise, Soutien Xiita e Zumbi do Mato; Será um DVD com show ao vivo e entrevistas.

Por que o crowdfunding como forma de viabilização? Você poderia citar algum exemplo de projeto nessa linha que já tenha sido realizado?

O crowdfunding é uma ótima ferramenta para projetos culturais (quem dera existisse algo assim nos anos 90... quem dera existisse internet nos anos 90... marcávamos shows por telefone ou telegrama). No crowdfounding o fã pode ajudar diretamente seus artistas, sem passar por empresas, empresários, contribuindo com o valor que puder e recebendo uma contra partida. Você não doa dinheiro, você recebe algo por sua contribuição e ainda ajuda sua banda favorita.

O Mombojó financiou o projeto do show de 15 anos da banda em recife. Autoramas usou o crowdfounding para gravar seu mais novo CD.

Quem pode colaborar e como fazer isso? Há algum risco para os colaboradores caso o projeto não atinja a meta de realização?

Para colaborar é só entrar no site do projeto e escolher o valor e seguir as instruções do site, fazer cadastro e tal... (http://www.embolacha.com.br/projeto/130-espanke-90). A contribuição pode ser de qualquer valor. O projeto só vai pra frente se o valor total for arrecadado, se não bater a meta a grana de todo mundo que colaborou nem é descontada no cartão... Ninguém perde seu dinheiro. E no caso de alcançarmos a meta, 100% do valor, todos receberão as recompensas de acordo com a colaboração feita, isso a gente garante! Palavra de quem está na estrada desde 1990 fazendo música e agora cinema.

Valeu aí por apoiar essa empreitada para registrar uma cena do rock carioca que ficou com pouquíssimo material, principalmente audiovisual.

Agradeço a sua entrevista e aproveito o espaço para convidar a todos a fazerem  parte deste projeto, que uma vez realizado, servirá como registro histórico e documental da cena underground carioca e também nacional.

Parabéns pela iniciativa de vocês, estamos aqui na torcida. Obrigada.

Participe

8 de novembro de 2011

Morte da Cena - Matéria Comentada


A morte da cena entra em debate mais uma vez, agora com um vídeo com declarações polêmicas do vocalista Edu Falaschi (Almah / Angra), ao web programa Rock Express. O vídeo postado em 7 de novembro, foi gravado no contexto do evento “Dia do Metal” realizado em São Paulo no dia anterior ( 6/11/11).

A “morte da cena” já vem sendo alardeada ha um tempo, tanto por bandas quanto por produtores que dizem levar prejuízo atrás de prejuízo. O público vem sempre como culpado, como aquele que não vai ao show, não compra o CD, o merchandising e, portanto, não colabora para a cena.

No vídeo Edu Falaschi menciona a falta de público nos eventos com bandas nacionais, e os estádios lotados em casos de bandas mainstream “gringas”. Ou seja, não é que de fato exista uma falta de fãs de Heavy Metal, o que está faltando é o apoio às bandas e aos eventos que acontecem fora do contexto mainstream, ou seja, à cena underground.

Acho errado obrigar o fã a ir a evento, a comprar CD, ninguém deve ser forçado a nada, ainda mais no Rock, a pessoa tem que ir e adquirir o material por vontade própria. O underground em algum momento ficou marcado no senso comum como um espaço de exclusão, o que está muito longe de ser verdade. Cada vez mais o underground se faz presente, é a fonte aonde o mainstream vem beber quando precisa de algo realmente criativo e talentoso.

Estar inserido na cena underground requer o mínimo de engajamento, seja interagindo com a “galera rock” da sua localidade, trocando idéias, indo a eventos etc. isso está ligado à idéia de se desenvolver uma opinião própria, baseado na cena na qual interage e o grupo no qual está envolvido, e não apenas reproduzir um discurso dado pela grande mídia/mídia especializada e pelo censo comum.

Vale lembrar aqui que bandas como Metallica, Iron Maiden, AC/DC, surgiram no underground, caso não houvesse um produtor perspicaz e toda uma indústria por trás eles bem que poderia ter continuado por lá. Hoje os tempos são outros, fato; a internet não existia, para o bem ou para o mal, não quero entrar no mérito dessa questão agora, mas isso não diminui o fato de que eles, num primeiro momento, só foram possíveis, por conta de uma cena underground em torno do Metal.

Quantos Metallicas, Iron Maindens, Sepulturas, Slayes não temos hoje no underground e poucos são capazes de notar? Acho que essa capacidade de reconhecer um som de qualidade quando ouve um é que diferencia um verdadeiro fã de Metal, daquele que apenas reproduz essa imagem.

Natália R. Ribeiro

Público de 300 pessoas

7 de setembro de 2011

Do LP ao EP on-line parte I


Pensar a história da música a partir de sua articulação com artefatos tecnológicos é uma boa forma de escaparmos de linhas de pensamentos deterministas que alardeiam sobre o fim das escutas tradicionais ligadas aos discos, às canções ou a certos aparelhos de reprodutibilidade. Fala-se muito no fim da indústria da música, como se isso fosse o fim da própria música, sendo nunca se ouviu tanta música quanto temos ouvido hoje, nos nossos computadores, nossos MP3 players, telefones celulares e etc.

Um mergulho mais a fundo na história das tecnologias nos mostra que o que nós temos são reconfigurações nos modos de produção, consumo e circulação, que são, se não provocadas, incitadas de alguma forma por esses aparelhos e seus diferentes usos. Dividirei este post em duas partes e darei um pequeno salto de 1888 a 1920 buscando o que mais nos interessa, sem fazer com que ninguém desista da leitura.

Em meados dos anos 20, associado ao sistema de gravação elétrica, o disco de ebonite de 10 polegadas, 78 r.m.p, suportava cerca de 4 minutos de gravação, devido a essa “limitação” as canções gravadas neste período tinham necessariamente essa média de tempo, o que acabou ficando como herança até os dias de hoje, quando mesmo sem essa limitação, continuamos a pensar música em médias de 3, 4 minutos de duração.

O LP “Long Play”, disco de vinil de 12 polegadas, foi lançado pela Columbia em 1948, e junto com ele veio o formato álbum, pois agora era possível comportar mais músicas num só produto, além disso veio também a questão da arte da capa, a ficha técnica do artista, as letras das músicas e uma série de coisas. Foi a partir do LP que a produção de música tomou formato industrial.

Em 1963, já com a exploração da gravação magnética em 4 canais em curso, melhorando a qualidade do som e baixando os custos de produção, entra no mercado a fita cassete. A fita K7 permitia através de gravadores que as pessoas copiassem os discos e distribuísse entre amigos, permitia também a montagem de uma “playlist”. Por ser uma mídia mais barata e mais acessível, ela se tornou o formato preferido pelas bandas para mostrar seus trabalhos. Vídeo suplementar

No próximo post vamos falar do protocolo MIDI, da gravação digital, do CD, do MP3, dos sites de compartilhamento e por fim das estratégias que as bandas vêm utilizando para divulgar os seus trabalhos e como isso tem reconfigurando o mercado musical e as formas de audiência da música.

Bibliografia: Sá, Simone - A música na era de suas tecnologias de reprodução, em XV COMPOS. Junho 2006

Vídeo suplementar


13 de maio de 2011

Banda Solstício - Entrevista


Com 10 anos de "resistência" no underground a banda Solstício de Cabo Frio, Região dos Lagos, acaba de lançar um novo material, sem perder o peso nem a linha do seu Hardcore ao longo de todo esse tempo. A banda passa grandes mensagens em suas letras, os caras tem realmente algo a dizer, é para ler do começo ao fim. 

A banda disponibilizou o seu último trabalho, o EP "Tempestade" na íntegra em: http://tramavirtual.uol.com.br/solsticiorjhc 


Integrantes:
Marcelo Fernandes (v),
Davi Beata (g),
Raphael Rodrigues (b),
Victor Louzada  (d)

Ano de formação: 1999

Tipo de música: Rock/Hardcore/Metal

Material:

“Fúria Sangue e Fogo”, demo, 1999
“Produto das Circunstâncias”, demo, 2002
Split CD, com Larusso (Santos - SP) 2004
“Tempestade”, EP, 2010

Sites:
  

Em 2004 o Solstício deu uma parada, voltando em 2008 e agora em 2011 vocês estão com material recém lançado, esse tipo de trajetória é bastante comum entre bandas que estão há muito tempo no underground; quando você tem 15/16 anos e só tem o colégio com que se preocupar é uma coisa, com o tempo as responsabilidades aumentam, e começamos a sermos mais cobrados socialmente. Com mais de 10 anos de banda, o que os motiva a continuarem na luta?

Davi – Além de boa dose de teimosia, dentre outros fatores, a certeza que podemos oferecer algo diferente, dentro da nossa realidade, e quem sabe somar assim como soma para nós fazer parte disso.
Marcelo – Sem dúvida, para mim, a motivação vem da necessidade de dizer coisas que, na minha opinião, são relevantes, principalmente no momento em que vivemos.

As músicas do Solstício têm um alto teor político, as mensagens contidas nas letras são embaladas por uma sonoridade forte e bastante direta, qual é a relação entre o que está sendo dito na música e o Hardcore praticado por vocês? Pode se dizer que o Hardcore, para além das questões rítmicas, é uma vertente do Rock/Heavy Metal mais comprometida com a realidade social?

Davi – Nesse caso a relação embalagem/conteúdo é natural. Em se tratando de rótulos e generalizações a segunda afirmação é impossível. O rock e boa parte dos “movimentos” musicais nas suas origens, tem caráter social pareado à realidade da época, ordinariamente mascarado ou diluído na massificação como produto, mantendo compromissos apenas estéticos. Vide o caso do reggae e da MPB no seus primórdios. O mesmo aconteceu com o “hardcore” e igualmente com o “punk” de onde derivou, que tinha espírito renovador e ironicamente por alguns, assumiu aspecto conservador e purista ou sobreviveu apenas como arquétipo.

Na entrevista dada ao Speed Zine* em Maio de 2010, o Marcelo diz que a cena underground passa por uma fase de imaturidade, com muitas bandas tendo posturas assumidamente ou inocentemente proto-fascistas, falando de ódio e tendo atitudes anti-democráticas nos shows. Eu gostaria que ele comentasse mais sobre isso. Como e em que circunstâncias são perceptíveis essas atitudes. Seria uma falta de engajamento?

Marcelo – Creio que o grande momento proto-fascista, a catarse infantil conservadora, a babaquice “classe média” individualista, tem seu momento de glória numa coisa chamada MOSH PIT. Particularmente fico envergonhado ao ver um triste espetáculo como esse, onde a vibração se sobrepõe ao cérebro. Bem... sinal dos tempos!!

É uma grande pena ver que os shows de hardcore são cada vez mais, divertido apenas para os poucos que expressam suas inseguranças de gênero vestindo a capa de garotos maus. Enquanto isso, pra muita gente os shows de hardcore se limitam a assistir os shows e torcer para não levar o pé de algum idiota na cara. Isso, sem dúvida é reflexo do momento de alienação pelo qual o hardcore passa atualmente.

Em Março o Solstício se apresentou em dois locais diferentes da cena do Rio de Janeiro, dia 12/03 em São Gonçalo e 13/03 em Botafogo, como foi a receptividade do público e shows de uma forma geral nesses lugares?

A grande maioria dos nossos shows marca o reencontro com amigos, muitos dos quais só podemos encontrar justamente nesses momentos. Só isso já faz cada show ser especial. Mas nos shows citados, recebemos muita atenção por parte de todo mundo que estava lá, o que tornou esses eventos marcantes para nós.

Qual é a maior diferença que vocês sentem da cena da capital, para a cena do interior, no caso de vocês e do meu também, a Baixada Litorânea do Rio de Janeiro, mas conhecida como Região dos Lagos?

Davi – O que é interessante no interior é a convergência da cultura “underground”. É comum encontrar jovens de preferências distintas, identificados como grunges, góticos, posers, hardcoreanos, punks, metaleiros, modernos, todos compartilhando o mesmo evento. Até bandas, justamente pela falta de quórum. Na capital isso se dá menos, ou exceto artificialmente através de shows de bandas covers ou mega eventos, assim o público se restringe a nichos específicos.

Iniciativas como MUC, Movimento Underground Carioca, têm buscado uma maior integração entre os elementos do underground, visando assim melhorar a condição das bandas e dos eventos. A grande meta a ser alcançada é de que as bandas tenham condições de se sustentarem, pois muitas bandas param de tocar por não terem mais como se bancar ou por pura falta de motivação e incentivo. Estamos só no começo e tem muito trabalho a ser feito, com o tempo de estrada de vocês e tendo tocado em vários locais diferentes, gostaria de saber de vocês um pouco do que funciona e do que não funciona em se tratando de underground.

Davi – Muitas das dificuldades são reflexo da alta concentração de poder, dos meios de comunicação e recursos, características da sociedade brasileira, restringindo o acesso à cultura e informação, visando o modelo de pensamento único mercantil subserviente. Assim temos poucas bandas e conjuntos riquíssimos, recebendo cachês milionários no mainstream, enquanto centenas de milhares de outros ficam à míngua sem possibilidades de se desenvolver. No Brasil, em geral músico profissional é sinônimo de acompanhante de “artistas”, músico de estúdio, instrutores, compositores de jingles, ou de modo geral intérpretes, visto que não há espaço, e por conseqüência interesse, em bandas autorais, ainda mais quando diferentes dos moldes entendidos como populares, fruto dessa manipulação midiática.

- Dessa forma não é recomendável que ninguém aqui espere sobreviver unicamente de sua música, a não ser nessas condições e com muita boa vontade.

- Todavia esse sistema sofreu abalo e, embora gerações ainda respirem seu ranço, com as novas tecnologias hoje é mais fácil produzir e divulgar a própria banda, encontrando pessoas que se interessem por ela, independente do estilo, se realmente reunir alguma qualidade ou diferencial, comunicar ou obtiver identificação desses. Com compromisso, trabalho e alguma sorte, é possível tocar recuperando gastos e atingir alguns objetivos.

- No tocante ao underground, é básico; dar espaço para bandas novas e velhas, proporcionar condições para que os shows se dêem da melhor maneira, com qualidade de som, pontualidade, fomentando intercâmbio de localidades e estilos, sempre primando pelo respeito mútuo, possibilitando visibilidade às bandas que vêm de longe e com atividades, atrativos e divulgação suficiente para que pessoas participem dos eventos. Além de usarmos as ferramentas de que dispomos com inteligência, buscando ocupar espaços, tanto virtuais como este blog, quanto físicos, ampliando o caráter comunitário.

Eu em nome do blog Rockalogy agradeço pela colaboração de vocês e a gentileza de responderem a tão extensas e por vezes complexas questões aqui propostas. Tomo a liberdade de iniciar desta forma, oficialmente, a parceria Rockalogy e Solstício, pois a união é o que liga, não é mesmo. Muito obrigada.

Davi – Natália, nós que agradecemos pelo interesse e iniciativa. Obrigado e vida longa!

Marcelo - Muito obrigado Natália. Stay true!!!

*Entrevista Speed Zine, Fernando Carvalho (link)