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10 de março de 2012

Busted On the Road - Entrevista Silenoz, Dimmu Borgir (SP - 06/03/2012)

Nesta edição de estréia, trazemos uma entrevista exclusiva com Silenoz, guitarrista da banda norueguesa de Black Metal, DIMMU BORGIR. E também um take especial ao vivo da apresentação no Carioca Club, em São Paulo, no dia 06\03\2012.

Música: Mourning Palace, do disco Enthrone Darkness Thriumphant

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Contato: metalbusted@gmail.com

6 de janeiro de 2012

Metal ou Heavy Metal? O gênero musical


“Metal” é normalmente usado para se referir ao Heavy Metal e a suas vertentes, ou subgêneros: Death Metal, Black Metal, Thrash Metal, Power Metal, Metal Progressivo, entre outros. Já o termo “Heavy Metal” remete mais a um período clássico na história do gênero, antes da segmentação em diferentes vertentes, embora também possa ser usado de forma mais geral na classificação desses estilos.
“Heavy metal is a musical genre. Although some of its critics hear it only as noise, it has a code, or set of rules, that allows one to objectively determine whether a song, an album, a band, or a performance should be classified as belonging to the category ‘heavy metal’." (WEINSTEIN, 1991/2000 p.6)
Segundo Weinstein, o Heavy Metal segue como um dos gêneros do Rock de maior longevidade e também como um dos que mais teve a capacidade de se expandir, ramificando-se em diversas vertentes (1991/2000 p.7)*.

Embora a autora considere o Heavy Metal ligado a raiz Rock, prefiro pensar o gênero como um estilo musical próprio, com raízes fundadas no Rock e no Blues praticados por bandas de antes da década de 70, que serviram de influência para as bandas que fundaram o estilo.

Heavy Metal como gênero musical vai além de sua compreensão apenas como rotulação de mercado, existe uma dimensão social do gênero que é baseada na negociação entre diferentes atores. Bandas, público e mídia contribuem de diferentes formas, cada um a seu modo, possibilitando a “gerenciamento” do estilo.

Como gênero musical o Heavy Metal se baseia em códigos, ou num conjunto de regras. Esses códigos não seguem uma ordem restrita ou lógica, mas são coerentes o suficiente para demarcar fronteiras e periferias. Nas “periferias” o Metal conversa com outros gêneros e na negociação que acontece nessas fronteiras, entre o cumprimento e a violação dos códigos e que surgem diferentes vertentes, e conseqüentemente, novos códigos.

É preciso estar atento a esses códigos, eles estão presentes nas letras das músicas, nas melodias, no ritmo, na pegada, na performance, nos equipamentos e instrumentos utilizados pelas bandas, na biografia da banda, nas roupas, nos fãs, em seus circuito de produção e consumo e etc., está presente em vários elementos e camadas. O Heavy Metal é um gênero musical hipercodificado, com tantas vertentes isso não poderia ser diferente.

No entanto, na maioria das vezes, o Metal é facilmente reconhecível, assim como seus fãs, os headbangers (batedores de cabeça), que preferem ser chamados assim do que pela alcunha de “metaleiros”, rótulo criado pela mídia “Global” na época do primeiro Rock in Rio, em 1985.


Bibliografia: WEINSTEIN, Deena. Heavy Metal: the music and its culture. New York: De Capo, 1991/2000.

*tradução livre

13 de outubro de 2011

O Black Metal - Noruega


Conhecida como a mais satânica e blasfêmica de todas as vertentes do Metal, o Black Metal é seguido por lendas, mitos e preconceitos. A maior delas talvez seja protagonizada por Varg Vikernes, então baixista da banda Mayhem, que assassina a facadas seu companheiro Euronymous. Condenado à pena máxima da Noruega de 21 anos por assassinato e mais ao incêndio de três igrejas.

As bandas “pré-inventoras” do Black Metal são: Bathory, Hellhamer e Venom que bem como a brasileira Sarcófago formam o que o autor chama de “primeira geração” do estilo. Mayhem, Burzum, Emperor, Immortal entre outras, pertenceriam à segunda geração. O nome Black Metal veio do primeiro disco da banda Venom, lançado em 1982, que na época já carregava o visual agressivo e as letras com temas anti-religiosos.

Acusando o Death Metal de extremamente comercial e sem espírito os jovens escandinavos inovaram trazendo criação de atmosferas bizarras, influências do rock gótico, e uma certa magia teatral. A partir disso fica mais fácil pensamos a importância  dos “codinomes”, as maquiagens e as roupas para o estilo. Diferentes do Thrash e do Death Metal, que nesse momento se preocupavam pouco com a imagem, subindo ao palco de jeans, camisetas e calças de moletons.

Dead, então vocalista da banda Mayhem, ao fanzine Slayer:
 “Quando se vai a uma escola comum, certamente se pode ver metade dos alunos vestindo camisetas do Morbid Angel, Autopsy, Entombed e, mais uma vez, vou vomitar! Death Black metal é uma coisa que todos os mortais comuns deveriam temer, não transformar em tendência!”
De fato num primeiro momento houve todo esse esforço de separação por parte dos que estavam “de dentro” do grupo, como se formassem uma elite, com o passar da década de 90, e um olhar mais atencioso da mídia, o controle entre os que eram e os que não eram “true” foi ficando cada vez mais complicado. Em 1996 o CD Enthrone darkness triumphant, da banda norueguesa Dimmu Borgir, vendeu mais de 250 mil cópias.
“No final da década de 90, o radicalismo havia se acalmado e se transformado em aceitação social. (...) Anos depois do incêndio em Fantoftkirke, bandas de Black Metal, incluindo o Emperror, seriam vistas se degladiando por prêmios em várias edições do Grammy Norueguês.” (CHRISTE, Ian. SP 2010, p.366)
O Black Metal na Noruega nasceu de um grupo pequeno de jovens da faixa dos 15, 16 anos, o autor aponta para o fato de que o impulso destrutivo poderia ter sido apagado pelo estrelato do rock ou pelo alcance da maturidade natural pelo grupo.

O Black Metal é ainda hoje uma das vertentes mais emblemáticas do Metal ela conserva ainda uma aura, uma essência, “é preciso ser true”. O Death Metal é mal, mas o Black Metal é amaldiçoado, é satânico, o que seria de toda subjetivação em torno do Metal se não fossem essas vertentes, esses mitos e lendas. 












PS. Fãs radicais true, se por acaso cometi alguma blasfêmia na feitura deste texto expositivo, entrem em contato para que o mesmo seja corrigido. Atenciosamente, Natália R Ribeiro