5 de outubro de 2010

Hatepride quebrando tudo em tributo ao Pantera


A banda carioca Hatepride tocará os maiores clássicos do Pantera neste sábado, 09 de Outubro no Heavy Duty, Praça da Bandeira- Rj. A apresentação contará com um repertório misto. Entre as já conhecidas New Comer in Hell, Code in Skin e Proud n’ Strong, a banda apresentará as novas músicas que estão em fase de finalização e que vão fazer parte do CD “Two Years of Paranoia”.

Na comunidade da banda no Orkut foi aberta uma votação para que os fãs escolhessem as músicas do Pantera que mais querem ouvir entre Walk, This Love, 5 Minutes Alone, Cowboys From Hell e Goddamn Eletric, mas a banda ainda promete surpresas.

D. Arawn, J.P., Bruno (B. Arawn) e Bernardo (Old Cesar), em 2008 se uniram para formar o Hatepride o que deu origem às primeiras músicas. Apesar do pouco tempo de vida a banda vem recebendo elogios por parte das críticas, como a publicada pelo site Whiplash, por Marcos Netto:

“Por meio de um peculiar signo que relembra o estilo do Texas, ou do Country Norte Americano, a banda Hatepride se utiliza desse mecanismo de recusa de uma identidade falseada, a nacional, para encontrar a sua própria. O título da Demo, "No greem, no Gold, o Stars", que parece referir-se às cores e símbolos tradicionais da bandeira nacional, figurada na Arte da Banda, sugere esta ideia principal que perpassa a sua produção musical: apresentar este outro Brasil, na violência do sudeste brasileiro, onde não há verde, não há ouro nem estrelas.(...)”

23 de setembro de 2010

Entrevista Scatha



Blog Rockalogy entrevistou domingo passado (18 de Setembro) a banda Scatha, no estúdio HR, Tijuca – RJ. Logo após o ensaio as meninas falaram ao blog detalhes sobre a banda, da cena do Rio de Janeiro e sobre o álbum que planejam lançar.

A banda começou em 2004 com Julia Pombo e Cíntia, em Agosto de 2005 vocês fizeram sua primeira apresentação no Garage – RJ, até o lançamento da demo Keep Thrashing (Agosto de 2007) a banda já havia mudado sua formação, saindo a Rebecca Schwab e entrando a Angélica Burns. A idéia desde o começo é a de uma banda só com integrantes mulheres?

Júlia e Cíntia: Sempre. Na verdade teve um batera bem no começo, mas porque a gente não encontrava meninas que quisessem tocar.

Como vocês se conheceram?

Júlia: A Cynthia tinha uma banda chamada Trinnity, que já era meio conhecida no underground. Daí a gente conhecia, nós estavamos precisando e ela começou a quebrar uns galhos, e foi ficando. Eu conheci a Cíntia no Tô Sem Banda (www.tosembanda.com). A Angélica entrou na banda por indicação...

Você estão fazendo teste para guitarrista vocês estão procurando prioritariamente outra menina, ou poderia ser alguém do sexo oposto?

Júlia: Não, só mulheres mesmo, se não quebra o ideial da parada

Outra coisa que chama a atenção na banda é o vocal da Angélica, que domina muito bem o gutural. Como você aprendeu a cantar assim?

Angélica: Eu comecei tipo brincando, eu vi outras mulheres fazendo, se elas conseguiam então eu resolvi tentar. Todo mundo da minha banda falou que eu tinha o dom, mas naquela época eu cantava mas não sabia cantar, eu cantava e ferrava a garganta. Daí eu comecei a ter aula com o Syren, tipo de respiração, técnica normal de canto, porque a técnica que eu uso é a que qualquer pessoa usa pra cantar, só que a técnica especial de gutural eu aprendi sozinha, tanto que se alguém me pedir para ensinar eu não sei. Foi com o tempo, hoje eu sei ouvir se alguém está cantando errado ou se está cantando certo, mas eu não sei explicar, eu meio que desenvolvi sozinha, é automático.

De onde vem o nome da banda? O que significa?

Cíntia: É uma deusa Celta dos guerreiros e que infringe o medo, que quando eles iam para a guerra eles recorriam, para não sentirem medo... Sabe, o Keep Thrashing tem a ver com isso também, de você manter-se firme, seguir o ideal mesmo com todas as dificuldades.

No MySpace de vocês o som da banda está classificado como Thrash Metal anos 80, 90, com influência de Megadeth, Slayer, Metallica, Pantera, Kreator, entre outras. Você não acham o Thrash um estilo datado ou vocês acham que vale à pena investir nesse rótulo?

Cíntia: Na verdade agente não investe naquele estilo Thrash Metal anos 80, Bay Area, não, desde o começo a gente é Metal, nosso negócio é ser pesado.

Eu entendo, pois há uma necessidade de se rotular, mesmo que não se encaixe, pra galera ter uma idéia...

Cíntia: É, o negócio é a influência maior. No início a gente tocava Iron Maiden, Black Sabbath, essas coisas, o básico do Heavy Metal. Aí com o tempo a gente foi vendo que o que a gente gostava mesmo era “metranca”, vamos fazer parada pesada, vamos investir na raiva, que é isso que a gente tem, é isso que eu tenho, daí que a gente partiu pro Thrash Metal, tanto que no início a gente falava que era Heavy Thrash.

Está cada vez mais difícil classificar...

Cíntia: Você se rotular é um negócio muito difícil. Nosso som você vê que não tem uma influência só, tem umas paradas cadenciadas, têm músicas que são altamente Thrash, outras que são mais Heavy.

A banda tem um bom material, um número considerável de fãs, vide o grande número de visualizações no You Tube e os players no MySpace, Movidos Pela Raiva, a primeira música, tem quase 10.000 acessos, mas apesar de toda receptividade a banda tem poucos shows marcados. O que vocês podem apontar como sendo a principal causa disso?

Angélica: A precariedade da cena do Rio de Janeiro, nós já tocamos em quase todos os lugares possíveis e esgotou, não dá mais pra gente tocar no mesmo lugar.

Cíntia: E assim, a gente já conhece quase todos os produtores, a gente conhece como eles trabalham, o que cada um faz.

Angélica: Metade são amadores, pedem pra você vender ingresso.

Júlia: Não tem condições de você vender ingresso se você já tem que pagar passagem pra ir, pagar ensaio, pagar gravação... e ainda pagar pra fazer show.

Cíntia: Manutenção dos instrumentos...

Júlia: Por isso que no começo nós fazíamos dois shows por mês, início de banda, show, show, show... agora a gente já está repetindo lugar.

Angélica: Aí chamam a gente pra tocar no Heavy Duty, chega lá não tem estrutura, o som fica embolado, pra quê que eu vou querer fazer um show que ninguém vai entender nada? Aí chamam a gente pra tocar lá em São Paulo, mas não tem dinheiro pra bancar, como que cada um vai banca aqui, 200, 300 reais por cabeça... é complicado.

Vocês tem um show marcado em Brasília no dia 6 de Novembro, quais as suas expectativas para esse show?

Cíntia: A gente só teve essa oportunidade porque foi uma guitarrista que fez o teste com a gente, que trabalha no ramo de produção fonográfica e ela está trabalhando lá, e ela conheceu a galera de lá, e lá tem um público fenomenal sabe.

É o público fora do eixo Rio – São Paulo é super afim que ouvir som novo, o movimento “fora do eixo” é muito mais intenso... mas tem a dificuldade de ir a esses lugares sem qualquer tipo de apoio.

Cíntia: É, a nossa idéia agora, além da gente ter que gravar um álbum, e ter mais visibilidade no mercado estrangeiro, porque eles só aceitam banda pra fazer turnê por lá quando você tem um álbum lançado, uma coisa importante que a gente está tentando é marcar show fora do Rio, porque isso dá um crédito, uma visibilidade maior. Daí o público vê “pô, a banda tá correndo atrás, se divulgando pelo Brasil pelo menos.

Júlia: O problema não é nem a gente conseguir marcar show aqui, tem um monte de gente correndo atrás, “pô, vamos marcar show”, conseguir a gente consegue, o problema é falta de estrutura e de apoio que eles dão pras bandas.

Cíntia: E eles tratam a banda como se fosse sabe, qualquer coisa, é como se você estivesse fazendo um favor.

No site de vocês estava previsto o lançamento de músicas novas para o final de 2009, o plano ainda está de pé? Fale um pouco do que planejam para o novo trabalho.

Angélica: Na verdade a gente já tem o álbum pronto, só falta pegar e gravar.

Cíntia: A gente meio que sofreu uma queda na produção da banda quando a gente perdeu uma guitarrista, porque a gente tocava muita coisa que usavam duas guitarras. A gente teve que adaptar tudo para uma guitarra só e a gente não quer perder o peso, então agora nós estamos mais voltadas totalmente para um som que seja mais direto, entendeu? Sem muita firula porque é uma guitarra, então baixo e guitarra têm que trabalhar de uma forma que não parca peso.

O que vocês acham que seria necessário para mudar a cena aqui do Rio de Janeiro?

Angélica: Eu acho que tem que ter união, porque aqui tem muita “panelinha”, todo mundo fala mal de todo mundo...

É uma luta por espaço, sendo que cada banda vai ter seu público...

Júlia: O público de uma é o público da outra. Não tem isso, não tem exclusividade.

Cíntia: A gente meio que saiu desse meio, porque a gente conhecia muitas bandas quando nós fazíamos mais shows, que ensaiavam aqui, amigos nossos, mas com o tempo cada uma foi ganhando seu público próprio. Só que teve uma época que ficava muito falatório “há, aquelas meninas metidas, não sei o que...”, e a gente nunca teve isso sabe, a gente sempre tocou, sempre tivemos nossos amigos, só que a gente não fala com “todo” mundo, com todas as bandas, porque também não tem como ser tão sociável assim.

Angélica: Nem tem como ir a todos os shows.

Cíntia: ...aí depois com o tempo, foi todo mundo ficando mais velho, cada um seguido a sua carreira “de verdade”, profissional, porque a música é nossa profissão também, só que a gente não ganha dinheiro com isso. Tem sido uma diversão por enquanto, é tudo por prazer, a gente toca nos lugares porque a gente gosta.
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A conversa seguiu mais alguns minutos em off. O que ficou claro é que as meninas estão correndo atrás, mesmo com todas as adversidades. Elas estão cientes do que está acontecendo na cena underground do Rio de Janeiro e ressaltando que o que está faltando, e que é essencial, é a união das bandas, eu concordo plenamente e o blog vai bater nesta tecla quantas vezes forem preciso.

Natália Ribeiro

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16 de setembro de 2010

Performance


 "A performance, ou seja, o ato de tocar, cantar e interpretar uma canção estão conectados aos diversos cenários presentes de forma virtual nos gêneros musicais e materializados nas canções."*

A performance faz parte da música ela está estreitamente ligada a noção de gênero musical, de modo que criamos expectativas a cerca da performance assim que ouvimos determinada música. O Heavy Metal, com seus diversos subgêneros, é um gênero super performático, de modo que quando nos dizem que o som de tal banda é Thrashão old School já montamos todo o cenário na nossa cabeça, há de fato, pouco espaço para negociação nesse exemplo.

A forma como a música é executada faz toda a diferença, músicos que pouco de movimentam no palco não são bem vistos, a performance do vocalista faz toda diferença na hora de ele ser eleito um bom frontman ou não, e não é só a banda que recebe expectativas, o público também, o público do Heavy Metal tem que agitar, bangear, fazer os chifrinhos com as mãos. A maioria das bandas quer ver a roda se formando durante o seu show, isso quer dizer que a galera está curtindo, isso tem um significado, é a forma como banda e público se comunicam, e no show de Heavy Metal tem muito isso, a platéia é sempre chamada a participar, o que mostra uma relação mais estreita entre banda e público, talvez mais do que em outros gêneros.

A questão da performance vem para mostrar música não é só para ser ouvida, tem a ver com vivenciar, com experiência, não despertar apenas a audição, mas os outros sentidos também, quem nunca ficou arrepiado de ouvir determinada música? A todo momento estamos geramos visualizações para aquilo que estamos ouvindo.

*Jeder Janotti Junior. Mídia, música popular massiva e gêneros musicais, a produção de sentido no formato canção a partir de suas condições de produção e reconhecimento_Compós 2006