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13 de dezembro de 2012

Freeze! EP, Vakan - Resenha



Freeze! - Vakan
EP: Freeze!
Banda: Vakan
Santa Maria – RS

Matheus Oliveira, vocal
Alexandre Marinho, guitarra
Carlos L. Schmitt, baixo
Lucas Oliveira, bateria

EP de quatro faixas, calcado na sonoridade Heavy Metal possui diferentes momentos que podem agradar desde fãs de Rock 'n' Roll àqueles que preferem passagens mais pesadas e de certa profundidade.  “Moving On”, a quarta faixa do EP, deveria estar abrindo o trabalho, pois além de trazer o título em seu refrão, é uma das mais vigorosas do álbum e junto com “Curtain Call” parecem dizer mais diretamente ao que a banda veio.

As pessoas gostam de saber o que estão ouvindo desde um primeiro momento, gostam de identificar elementos, conseguir estabelecer uma direção à sua escuta e a Vakan em “Freeze!” consegue proporcionar isso sem soar repetitivo, ou parece algo meio sem descrição que saiu de um liquidificador cheio de influências variadas.

Como todo primeiro trabalho, "Freeze!" é uma pequena amostra do que a banda virá a ser, o que não quer dizer que sejam composições menores, pelo contrário, dependendo do caminho que a banda pretende seguir essas quatro faixas podem se tornar clássicas em sua trajetória. Em alguns momentos o vocal poderia ser mais vigoroso, em outros os solos de guitarra parecem não encaixar totalmente na música, mas isso não chega a influenciar na obra como um todo, se é que podemos pensar assim em tempos em que a ideia de álbum parece cada vez fazer menos sentido.

A parte visual do material poderia ser melhor trabalhada, tipografias, imagens poderiam ser mais exploradas, mas isso não chega a pesar tanto numa avaliação pois o que importa mesmo no final das contas é conteúdo, estou cansada de ver bandas com um trabalho visual incrível e com um som medíocre.

Gostaria de ter a oportunidade de conferir a banda ao vivo, pois para mim essa é verdadeira prova de fogo, mas só posso falar no momento sobre o EP e esse eu recomendo, principalmente para fãs de Heavy Metal. Espero que a banda siga seu cronograma e nos apresente novas composições logo em breve, as expectativas, a contar com “Freeze!” são as melhores.

Links
http://www.facebook.com/VakanOfficial

Por: Natália Ribeiro "Rockalogy"

16 de julho de 2012

As Meninas Do Metal_Jeffrey Jensen Arnett, trad. Natália R Ribeiro


As Meninas Do Metal_Jeffrey Jensen Arnett, trad. Natália R Ribeiro




Referência bibliográfica
ARNETT, Jeffrey Jensen _ Metalheads : heavy metal music and adolescent alienation. Boulder: Westview Press, 1996.

Tradução livre feita por Natália Ribeiro editora do blog Rockalogy (rockalogy.blogspot.com), contato ribeironatalia3@hotmail.com


7 de julho de 2012

Heavy Metal e Psicodelia

Judas Priest, 1974

Existe um consenso de que o “marco de criação do Heavy Metal” é o lançamento do “Black Sabbath” primeiro disco, homônimo, da banda Black Sabbath, em 13 de Fevereiro [uma sexta-feira] de 1970. Mas, essa é uma simplificação, que apesar de eficiente, não explica o contexto no qual ele foi sendo desenvolvido. Na verdade a “criação” do Heavy Metal e de qualquer outro gênero musical é parte de um processo.

Deena Weinstein em seu livro “Heavy Metal, The Music and Its Culture” descreve de forma básica a dinâmica desse processo:
“A princípio, o que mais tarde irá se tornar o código do gênero, aparece em canções isoladas. Em seguida, o trabalho de uma banda ou um aglomerado de bandas começa a exemplificar este código. Finalmente, a regra para a geração da música tocada por tais bandas são conscientemente reconhecidas e tornam-se um código para que outros possam emular.” (WEINSTEIN, 1991 p.14)
Logo, as raízes familiares do Metal encontram-se dispersas em diferentes gêneros, como Blues, Rock n’ Roll, Jazz e o que mais tarde ficou conhecido como “Rock Psicodélico” [entre outros]. Influências do rock psicodélico podem ser notadas nos primeiros trabalhos de algumas bandas e artistas que mais tarde foram mais associados ao metal.

Exemplos:

Judas Priest em seu primeiro trabalho "Rocka Rolla" de 1974



Além dos elementos estritamente musicais, reparem nas roupas, na performance de palco. Pouca coisa sobrou do visual, a não ser os cabelos compridos.

Motörhead também no primeiro disco "Motörhead", em 1977



Judas Priest e Motörhead foram influenciados por outros artistas e bandas, que como a autora cita, tinham em suas músicas elementos dispersos do que mais tarde seria conhecido como Heavy Metal.

Jimi Hendrix; elementos influentes musicalmente e em sua performance. A guitarra tem lugar de destaque, o som é virtuoso e poderoso.




Blue Chaeer; "Summertime Blues" do "Vincebus Eruptum", 1968, álbum de estréia da banda. "O volume alto como característica estética da música" (WEINSTEIN, 1991 p.18)





Uriah Heep; "Os vocais são psicodélicos, mas a guitarra e o ritmo são do heavy metal rock inglês" Mike Sauders para a Rolling Stone em 1972




Pink Floyd ( primeiro disco"The Piper at the Gates of Dawn", de 1969); o "art-rock"



Entre outros exemplos que poderiam estar ilustrando esse post.

O Heavy Metal se valeu de práticas, valores e atitudes que caracterizaram a geração Woodstok, "que se apropriou do jeans, da maconha e do cabelo comprido. Colocou os rock stars em pedestais, adotou uma desconfiança na autoridade social e considerou que a música é uma expressão séria e que a autenticidade era uma virtude moral essencial para os músicos de rock" (WEINSTEIN, 1991 p.18)
Assim sendo, o "Rock Psicodélico" foi um elementoimportante [de vários] na formação do Metal como o conhecemos hoje.

Bibliografia: Weinstein, D. (1991) Heavy Metal: The Music and its Culture, New York: De Capo Press.

15 de maio de 2012

Tatuagens, Piercings e Alargadores na Cena Metal



Post revisitado e agora com bibliografia disponível em:

Num evento underground é notável o grande número de pessoas que possuem algum tipo de marca corporal, tal como piercing e tatuagem, e justamente por ser algo notável é que se faz relevante um esforço para entendermos melhor esse fenômeno e como ele se relaciona com a cena.

As marcas corporais possuem uma longa história. Até o século XVIII no Ocidente eram violentamente combatidas e condenadas pela igreja, que considerava uma blasfêmia, pois, se o corpo foi feito à imagem e semelhança de Deus, modificar essa imagem equilave a desfigurar sua “perfeição natural”, segundo a tradição judaico-cristã as diversas marcas permanentes do corpo distinguiam o pagão do crente, o ímpio do fiel. Durante o período medieval elas estiveram intrinsecamente ligadas às culturas pagãs e carregavam significados mágicos e protetores, assim como esteve presente entre povos bárbaros (povos guerreiros), como os Celtas e os Vikings. 

“No final do século XVIII que as marcas corporais começaram a popularizar-se no contexto da sociedade ocidental européia”.* Na época das expedições marítimas, colonização, da descoberta de novos continentes as tripulações desses navios entravam em contato com os povos nativos, estes marcados corporalmente. “A tatuagem e o brinco passaram, então, a constituir uma importante parcela simbólica da experiência de navegação (...)”

A partir daí as marcas corporais ganharam cada vez mais esse sentido de estigma, no sentido de quem as porta ser socialmente mal visto. De uma “sociedade selvagem”, e nesse sentido inferior, como símbolo pagão e marginalizado (seu processo de importação e apropriação localizou-se em grande média nos guetos das culturas populares urbanas, entre marinheiros, estivadores, prostitutas, membros de gangs, entre outros*) de exóticas, no século XX, passaram a serem tomadas como expressão corporal de patologia criminal, solidificando ainda mais o estereótipo negativo.

Marcas corporais também foram usadas para diferenciarem indivíduos livres de indivíduos submetidos; escravos, “trabalhadores”de campos de concentração, presidiários. Estes últimos em especial deram um novo valor simbólico às marcas, quando começaram a incorporá-las voluntariamente fazendo correspondência a um ato de resistência aos processos de disciplinaçao do sujeito. As tatuagens ganharam assim um valor de rebelião, de contestação social.

Por mais que a sociedade lutasse contra as marcas elas ganharam crescente sucesso depois da II Guerra Mundial, sendo apropriadas por subculturas, tribos, grupos e cenas, mas é claro, num novo contexto. As marcas corporais começam a ser incorporadas a cultura dominante como formas de expressão pessoal e de singularizaçao social*, não mais daquela forma quando as marcas designavam uma coletividade e eram identificados por ela socialmente de forma clara e precisa. Hoje elas têm estão mais ligadas à exclusão do que a inclusão na sociedade como um todo. 

Mas cada vez mais a tatuagem e o piercings, e outras formas de modificação, como o stretching (ou dilatação) tem ganhado mais adeptos e eles são de toda ordem, jovens, adultos, pobre, ricos, com ensino superior, “patricinhas” (como consta numa entrevista do artigo), funkeiros, mães e pais, headbangers, empresários, artistas de cinema etc. 

A incorporação das marcas pelo star-sistem musical, funcionou como meio de relativa aceitação e familiarização social com as marcas corporais (...) ,sobretudo sobre os segmentos mais jovens, para quem freqüentemente essas celebridades constituem referencias culturais identitárias”(soma-se a isso a popularização dos estúdios de tatuagem e a regulamentação dos mesmo, sem esquecer da invenção da máquina de tatuar elétrica, em 1980). A marcas acabam sendo desmistificadas, perdendo parte dessa aura de marginalidade e exotismo, porém sem perder o remanescente expressivo de diferença e de singularidade social.

O underground é onde as tribos se reúnem, cada tribo tem sua característica, sua identidade. O incrível é pensar em como isso é mantido, sendo que esses grupos estão sempre em contato os outros, e em vez de haver uma homogeneização está cada vez mais segmentado (discussão para um futuro post). Tem os tatuados, os muito tatuados, os tatuados com piercing, os que tem a tatuagem seguindo um determinado estilo ou linha, os que só tem piercing, e essas marcas corporais geralmente apontam para um determinado gosto musical, uma determinada vertente, que por sua vez envolve uma “ritualística” ligada a essas marcas.

Ou seja, marcas corporais tem TUDO a ver com underground, e tem muito o que falar sobre isso ainda.

Natália R. Ribeiro

Para este post foi usado como apoio o artigo “Do Renascimento das Marcas Corporais em Contextos de Neotribalismo Juvenil – Vítor Sérgio Ferreira”, presente no livro “Tribos Urbanas: Produção Artística e Identidades – José Machado Pais e Leia Maria da Silva”.



10 de maio de 2012

Covers Improváveis do Metal

É lógico que a palavra "improvável" no meio do título é uma brincadeira, penso que toda banda possui autonomia criativa para fazer o cover que bem entende, se isso é coerente ou se vai agradar aos fãs ou não, vai de caso a caso.
O cover dentro do underground é uma questão ainda polêmica, pois muitas bandas baseiam suas carreiras apenas em executar músicas de outras bandas, a maioria das bandas começa assim, é quase um caminho natural, mas a ideia principal é sempre tocar as suas músicas. 
Aqui pode se aplicar a ideia de "polifonia" proposta por Mikhail Bakhtin para a análise de discurso:
"Os argumentos a serem usados num determinado discurso são copiados de discursos anteriores" (PINTO, Milton José, 2002 p.13)", "o discurso é construído a partir do discurso do outro, que é o “já dito” sobre o qual qualquer discurso se constrói."*
Por mais que a banda tenha como objetivo soar "nova", "original" ela obrigatoriamente parte de alguma influência, por mais que ela misture música do interior do Chile com batucadas de tribos africanas, ela vai estar se apropriando de um discurso anterior, que diz respeito a esses elementos, isso não quer dizer que a banda não esteja sendo original, ela será na forma de montar e mostrar o que ela está querendo mostrar com isso. 
Quando bandas já consagradas gravam um cover na maioria das vezes elas estão prestando uma reverência a músicas, bandas e artistas que as influenciaram e que fazem parte do DNA da banda, mas pode ser também que o façam por diversão, porque a música é legal, o que eu sei é que alguns que ficam muito bons. Mais uma vez quem ganha é o público.

Vamos a eles:

Slayer - Born To Be Wild (Steppenwolf Cover, 1968)




Six Feet Under - Back in Black (AC/DC Cover, 1980)





Cannibal Corpse -No Remorse (MetallicA cover, 1983)




Death - Painkiller (Judas Priest Cover, 1990)




Cradle of Fith - Fear of the dark (Iron Maiden Cover, 1992)




Dio & Malmsteen - Dream On (Aerosmith Cover, 1973)




Quiet Riot - Cum On Feel The Noize ( Slade Cover, 1973)




Motorhead - God Save The Queen (The Sex Pistols Cover, 1977)



São muitos.. quem lembrar de mais covers legais e quiser compartilhar.

Bibliografia
*Maria Letícia de Almeida Rechdan "Dialogismo ou Polifonia?" em http://site.unitau.br//scripts/prppg/humanas/download/dialogismo-N1-2003.pdf

PINTO, Milton José "Comunicação e discurso : introdução à análise de discurso" São Paulo : Hacker Editores, 2002.


15 de abril de 2012

Mapa Mundial de bandas de Metal Per Capita




Talvez banguear seja uma boa forma de se manter aquecido. De acordo com este mapa feito por uma usuário da Reddit* chamado "depo_," os países com maior número de bandas de Metal per capita (mostrado acima em vermelho-sangue) são todas as congeladas nações nórdicas: Finlândia, Noruega, Suécia, Islândia, e, em menor grau Dinamarca. 

Os dados provêm do Encyclopedia Metallum (http://www.metal-archives.com/browse/country) de bandas de Metal, ativas e inativas, comparados com os números das contagens nacionais de população da CIA.

A Finlândia é o mais "metálico" com 53,5 bandas de Metal por 100.000 pessoas, seguido por Suécia e Noruega empatados em 27,2, e, em seguida, Islândia, 22,7. Em comparação, EUA e  Reino Unido, onde em grande parte o Metal teve sua origem, conseguiram apenas insignificantes 5,5 e 5,2, respectivamente.


Segundo o mapa, o Brasil teria 0,41 bandas para cada 100.000 habitantes. Por mais que as informações estejam desatualizadas, seja pelo bando de dados do Metal Archives ou a contagem populacional da CIA, esse é um número bastante baixo, mas significativo.

Percebe-se que países que são menos densos populacionalmente tendem a ter uma média per capita mais alta, assim sendo, o “desempenho” Brasil, que possui mais de 190 milhões de habitantes (censo IBGE de 2010), não chega a ser tão preocupante. Isso só prova que o Metal no Brasil ainda tem muito/muitos a conquistar.

*Reddit (também reddit) é um site do tipo de publicações sociais no qual os usuários podem postar links para conteúdo na Web. Outros usuários podem então votar positivamente ou negativamente nos links postados, fazendo com que apareçam de uma forma mais ou menos destacada na página inicial do Reddit.
fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Reddit

13 de março de 2012

Metal Lyric# as melhores letras de Metal com o tema “guerra”: "War Pigs", "One", "Napalm In The Morning"

Depois de uma disputa acirrada na nossa enquete, War Pigs, dos mestres do Black Sabbath, tirou o primeiro lugar, seguida por “One” do Metallica e “Napalm in  the Morning “ do Sodom em segundo, confiram.*


"War Pigs"
Black Sabbath, do álbum "Paranoid", 1970


Generals gathered in their masses
just like witches at black masses
evil minds that plot destruction
sorcerers of death's construction
in the fields the bodies burning
as the war machine keeps turning
death and hatred to mankind
poisoning their brainwashed minds
Oh, Lord yeah!


Politicians hide themselves away
they only started the war
Why should they go out to fight?
They leave that role to the poor, yeah!


Time will tell on their power minds
Making war just for fun
Treating people just like pawns in chess
Wait 'till their judgement day comes, yeah!


Now in darkness, world stops turning
ashes where their bodies burning
No more war pigs of the power
Hand of God has stuck the hour
Day of judgement, God is calling
on their knees, the war pigs crawling
Begging mercy for their sins
Satan, laughing, spreads his wings
Oh, Lord yeah!





Porcos de Guerra*

Generais reunidos em suas massas
Como bruxas em missas negras
Mentes diabólicas que tramam destruição
Feiticeiros de criação de morte
Nos campos os corpos queimando
Enquanto a máquina de guerra continua girando
Morte e ódio à humanidade
Envenenando suas mentes com lavagem cerebral
Oh, Senhor yeah!

Políticos se escondem
Eles apenas iniciaram a guerra
Por que eles deveriam sair para lutar?
Eles deixam este papel para os pobres, yeah!

O tempo vai mostrar o poder de suas mentes
Fazendo guerra só por diversão
Tratando as pessoas como peões de xadrez
Espere até que dia do julgamento deles chegue, yeah!

Agora na escuridão, o mundo para de girar
Cinzas onde os corpos deles queimavam
Sem mais porcos de guerra no poder
A mão de Deus marcou a hora
Dia do Julgamento, Deus está chamando
Ajoelhados, os porcos de guerra estão rastejando
Implorando misericórdia  por seus pecados
Satã, rindo, abre suas asas.
Oh, Senhor yeah!


"One"
Metallica, do álbum " ...And Justice for All", 1989

I can't remember anything
Can't tell if this is true or dream
Deep down inside I feel to screem
This terrible silence stops me


Now that the war is through with me
I'm waking up, I cannot see
That there's not much left to me
Nothing is real but pain now


Hold my breath as I wish for death
Oh please God, wake me


Back in the womb it's much too real
In pumps life that I must feel
But can't look forward to reveal
Look to the time when I'll live


Fed through the tube that sticks in me
Just like a wartime novelty
Tied to machines that make me be
Cut this life off from me


Hold my breath as I wish for death
Oh please God, wake me


Now the world is gone I'm just one
Oh God, help me
Hold my breath as I wish for death
Oh please God, help me


Darkness imprisoning me
All that I see, absolute horror
I cannot live, I cannot die
Trapped in myself
Body my holding cell


Land mine has taken my sight
Taken my speech, taken my hearing
Taken my arms, taken my legs
Taken my soul, left me with life in hell




Único*

Não consigo me lembrar de nada
Não consigo dizer se isto é sonho ou realidade
Dentro de mim sinto vontade de gritar
Este terrível silêncio me impede

Agora que a guerra acabou comigo
Eu acordo e não consigo ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor agora

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, Deus, por favor acorde-me

De volta ao útero é muito real
Para dentro injeta-se a vida que tenho de sentir
Mas não posso olhar para frente e imaginar
Ver a vida que terei

Alimentado por tubos enfiados em mim
Como num romance de guerra
Ligado a máquinas que me fazem existir
Tirem-me desta vida

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, por favor, Deus acorde-me

Agora o mundo desapareceu, eu sou o único
Oh, Deus, ajude-me
Prenda minha respiração enquanto desejo morrer
Oh por favor Deus ajude-me

Trevas aprisionando-me
Tudo o que vejo: horror absoluto
Não consigo viver, não consigo morrer
Preso dentro de mim mesmo
O meu corpo é a minha cela

Campo minado arrancou-me a visão
Arrancou-me a fala, arrancou-me a audição
Arrancou-me os braços, arrancou-me as pernas
Arrancou-me a alma, deixou-me com a vida no inferno


"Napalm In The Morning"
Sodom, do álbum "M-16", 2001

Unholy evil prophets rise
Fire is raining from the endless skies
Can you hear the final thunder roaring
Napalm in the morning

Charlie close to me
Smell of gasoline
Physically abused
See the hollow face
That burned down and raped
Your petition refused
Screaming for your life
Suffocation cries
Religions been lost
Dancing in the flames
That's your destiny
Surrendered to the gods

Unholy evil prophets rise
Fire is raining from the endless skies
Can you hear the final thunder roaring
Napalm in the morning

...you're gonna die !

Unholy evil prophets rise
Fire is raining from the endless skies
Can you hear the final thunder roaring
Napalm in the morning

Time bomb warrior
Flancked all around
Fighting back their lies
You are my soul insane
Blood stops feeding veins
God damn monkey's bite
Ashes dung the ground
Infuriate mauled
Recrudescence of wounds
There's no time to waste
Smash'em without grace
Hell is coming to you


Napalm pela manhã*

Morte é apenas uma ironia do destino
Multiplos ritos, eu vou perder o meu caminho
Controle parafiliatico do corpo
Para massacrar o fantasma de minha alma

...Voce irá morrer!

Profanamente o mal professa a ascensão
O fogo está a chover dos céus sem fim
Você pode ouvir os rugidos de trovão final?
Napalm pela manhã

A pele descascando a cair derruba sua tímida máscara
Você deseja que a morte o redima rapidamente
Criação do fogo, parece o nu perfeito
Seu torso carbonizado como parte de você
...Voce irá morrer!

Profanamente o mal professa a ascensão
O fogo está a chover dos céus sem fim
Você pode ouvir os rugidos de trovão final?
Napalm pela manhã

Charlie aproxima-se de mim
Cheira a gasolina
Abusada fisicamente
Veja o rosto oco
Que queimou e foi estuprado
Seu pedido recusado
Gritando por sua vida
Gritos sufocados
Religiões sendo perdidas
Dançando em chamas
Esse é o seu destino
Entregue aos deuses

Profanamente o mal professa a ascensão
O fogo está a chover dos céus sem fim
Você pode ouvir os rugidos de trovão final?
Napalm pela manhã

...Voce irá morrer!

Profanamente o mal professa a ascensão
O fogo está a chover dos céus sem fim
Você pode ouvir os rugidos de trovão final?
Napalm pela manhã

Guerreiro bomba-relógio
Cercado por todos os lados
Lutando contra suas mentiras
Você é minha alma insana
O sangue para de alimentar as veias
Maldita mordida de macaco
Cinzas adubam o solo
Estraçalhando enfurecidamente
O recrudescimento das feridas
Não a tempo a perder
Espatifando-se sem gloria
O inferno esta vindo pra você

Em breve mais Metal Lyric no Rockalogy, siga-nos por e-mail e fique por dentro.

*tradução livre de responsabilidade do blog

14 de fevereiro de 2012

Heavy Metal, a importância da experiência ao vivo


Começo esse post a partir da leitura do artigo “Pegue seu bilhete; compre pipoca e esteja pronto para bangear! A performance do Big Four transmitida em cinemas e novas experiências para headbangers” de Melina Aparecida dos Santos (UFF)* que trata da reconfiguração da experiência de assistir coletivamente a um show de heavy metal “ao vivo”, uma vez que se está numa sala de cinema e não em frente a um palco.

“Se é para ver tal artista no telão, prefiro comprar o DVD e assistir em casa” ou “nem preciso ir para ver o show, será transmitido ao vivo pela internet”, são argumentos comuns para aqueles que por preferência, ou por falta de oportunidade, deixam de lado a experiência ao vivo. Por mais que esses shows sejam transmitidos em tempo real (o que em alguns casos, como do Big Four, deixa de ser cumprido à risca) a forma como aquilo é absorvido é diferente.

Ver ao vivo um show de sua banda favorita da platéia é uma experiência única, você está rodeado de fãs. Tem sempre aquela expectativa do momento em que a banda subirá no palco, a excitação de quando eles aparecem pela primeira vez no palco, as pessoas cantando junto, o som ensurdecedor e você sente aquilo na pele. Apesar de em casa você conseguir ver todos os detalhes, não restará muito dessa sensação que se tem no show ao vivo.

A performance existe não só para os artistas que estão em cima do palco, mas também depende muito da platéia, do público, no heavy metal isso é bem claro. Espera-se que o público seja agitado, balancem as cabeças, façam os chifrinhos com as mãos, dependendo da agitação, que formem rodas, mosh pits e wall of death, em casa, ou no cinema, a performance por parte do expectador é um tanto contida, reprimida, não há a troca, “a comunicação” com a banda.

Assistir a um show da platéia, num cinema, em casa com os amigos, pelo computador, cada uma dessas possibilidades configuram uma experiência diferente, neste caso, podem haver mais, de quatro formas diferentes de presenciar um mesmo evento.



28 de janeiro de 2012

Metal Evolution - Documentário. Ep.1 "Pre Metal"



Metal Evolution (2011) é um documentário dirigido pelo antropólogo e cineasta Sam Dunn e o diretor, produtor e supervisor de música Scot McFadyen sobre subgêneros do heavy metal, feito para o canal VH1 Classic e dividido em 11 episódios:


"Pre Metal"
"Early Metal Part 1: US Division"
"Early Metal Part 2: UK Division"
"New Wave of British Heavy Metal"
"Glam"
"Thrash"
"Grunge"
"Nu Metal"
"Shock Rock"
"Power Metal"


Sum Dunn é conhecido por outras excelentes obras em nome do Heavy Metal como "Metal: A Headbanger's Journey" (2005), "Global Metal" (2008) e "Iron Maiden: Flight 666" (2009).
Atualmente trabalha em "Satan" que está em fase de pré-produção, um filme sobre a origem e a influência de Satam na cultura popular.

Já é possivel encontrar episódios na rede.

24 de janeiro de 2012

Como se "dança" Rock? Tutorial

Esse vídeo já tem um certo tempo na rede, tem poucas informações sobre quais circunstância e para quais fins ele foi produzido, no entanto é um guia bastante eficiente e divertido da arte do "headbanging", apresentando os "estilos" mais utilizados de forma bastante ilustrativa e didática.

Esses movimentos fazem parte do universo comportamental/cultural dos fãs de Heavy Metal, é possível também um comportamento característico num  público mais voltado ao Hardcore, com movimentos diferentes. É comum cada gênero musical ter seu jeito de "dançar", ou se expressar corporalmente.

9 de janeiro de 2012

Notícia preocupante para o Heavy Metal - Tony Iommi é diagnosticado em estágio inicial de linfoma


Fonte: http://xpresson.wordpress.com/2012/01/09/tony-iommi-preces-do-mundo-inteiro/


Em nota hoje (09/01/2012) pelo perfil do Facebook, a banda BLACK SABBATH se junta a fãs do mundo inteiro nas preces por Tony Iommi.

“Com a notícia de que Tony Iommi do Black Sabbath foi diagnosticado em um estágio inicial do linfoma, seus companheiros de banda gostariam que todos a enviem vibrações positivas para o guitarrista neste momento. Iommi esta se reunindo com seus médicos para estabelecer o melhor plano de tratamento – o “Homem de Ferro” do Rock & Roll continua otimista e determinado a fazer uma recuperação completa e bem sucedida.

Black Sabbath – Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) – estão compondo e gravando seu primeiro álbum em 33 anos em Los Angeles (ainda sem previsão de lançamento) com o produtor Rick Rubin. Eles agora vão para o Reino Unido para continuar a trabalhar com Tony. Mais informações serão postadas assim que possível.”

15 de dezembro de 2011

Heavy Metal games - Iron Maiden


Ed Hunter foi o primeiro game do Iron Maiden, lançado para computador em 1999, no jogo você encarna “Ed” um detetive particular, que fora contratado via correspondência por deus-sabe-quem, para resgatar “Eddie”, o mascote do Iron Maiden, de uma instituição psiquiátrica, com ordens explícitas de mandar chumbo em qualquer um que atrapalhe a peripécia*.
O jogo não fez muito sucesso, apesar das expectativas sobre o seu lançamento, ele não agradou em termos de jogabilidade e enredo, o que salvava, é claro, era a trilha sonora, mas vale a pena conhecer.  


O último game lançado pela banda foi “The Final Frontier”, bem menos pretensioso, este pode ser jogado on-line. (http://www.thefinalfrontiergame.com/)
Além de ser uma forma de marketing, o game é uma possibilidade interessante de explorar o universo mítico criado pelas letras das músicas ou pelo conceito do álbum, criando uma forma diferente de imersão na narrativa.

 



*Fonte http://forum.outerspace.terra.com.br/archive/index.php/t-60075.html

14 de dezembro de 2011

Paradise Lost, a perseguição do Metal


O filme é um documentário que mostra o julgamento de três rapazes, Jessie Misskelley, Jason Baldwing e Damien Echols, acusados pelos assassinatos brutais de três crianças, mutiladas e estripadas em West Memphis Arkansas, EUA, em Maio de 1993. 

Apesar de não terem sido achadas provas concretas, sendo o julgamento baseado em confições e relatos, os três foram condenados. Echols foi executado, Jason e Jessie pegaram prisão perpétua.

O documentário deixa uma série de questões em aberto, a ponto de não sermos capazes de julgá-los de fato culpados ou inocentes, mas mostra como naquela época, a 17 anos atrás, ouvir Heavy Metal e vestir-se de preto era um forte indício de sujeição criminal, que inclusive poderia ser usado em juizo contra o réu.
“‘É tão fácil para a região central dos Estados Unidos olhar para as pessoas que são um pouco diferentes e marginalizá-las’, afirma Bruce Sinofsky, diretor do filme Paradise lost: the child murders at Robin Hood Hills. ‘Então, quando acontece um crime que não pode ser resolvido porque não há provas, eles podem dizer que é um crime relacionado ao ocultismo e, de alguma forma, acabar sendo ligado a cena Heavy Metal. Não existe muita lógica nisso. Nunca é possível saber de onde vem até que se conviva nesse ambiente. É assustador’.” (CHISTE, 2010 p.368)
     O Heavy Metal vem sendo perseguido desde a década de 70, quando líderes religiosos queimavam os discos que pertenceram aos seus fiéis. Em 1980 o PMRC ( Parent’s Music Resource Center, formado em 1984 por Tipper Gore, Susan Baker e outras esposas de membros do congresso ) levou paulatinamente à censura dos discos de Heavy Metal e a boicotes por parte das grandes lojas que se recusavam a vender discos “sujos”. Em 1985 a RIAA ( Recording Industry Association of America), Associação das Indústrias fonográficas dos Estados Unidos, concordou voluntariamente em colar adesivos nos lançamentos que fossem potencialmente ofensivos.

     
    Em 1986 a Metal Blade Records, de Brian Slagel, que era ligada à Warner Bros. viu-se obrigada a justificar letras de bandas de Death Metal como Cannibal Corpse. Recusando-se a fazer com que as bandas retirassem as músicas censuradas de seus álbums, a Metal Blade Records voltou a distribuição de forma independente. 

 O Cannibal Corpse tornou-se a primeira banda de Death Metal a estrear nas paradas da Billboard

    Se por um lado o Metal foi obrigado a encontrar formas alternativas de existência por conta de toda essa perseguição que já vinha de décadas, por outro quanto mais perseguido e mais atacado pelas autoridades mais aumentava a curiosidade por parte dos fãs e possivelmente o número de adeptos.

Bibliografia: CHISTE, Ian. Heavy metal: a história completa; tradução Milena Duarte e Augusto Zantoz. São Paulo, Arx, 2010.

17 de agosto de 2011

Heavy Metal barulho e ódio


“A cultura é menos a paisagem que vemos do que o olhar com que a vemos” (BARBERO, 2001, p.23)
Essa frase de Jesús Martín Barbero mostra que a cultura não é algo dado, a cultura é um processo e está em constante transformação. Ela tem mais a ver com a forma como vemos as coisas, do que as coisas em si. Pessoas que fazem parte do meio underground tendem a enxergar as coisas de uma forma diferente de quem não pertence a esse meio e vice-versa.

O Heavy Metal é um gênero musical complexo, geralmente os headbangers são: “os metaleiros”, que só andam de preto, ouvem músicas aonde as pessoas não cantam, em vez disso ficam berrando, ninguém entende nada, uma música violenta, “pauleira”, e que adora o demônio. Isso acontece porque o Heavy Metal contesta uma série de valores que são tidos como dogmáticos pela sociedade comum.

Para começar a religião, o Heavy Metal prega a autonomia do indivíduo, Deus e diabo são vistos de formas diferentes. Valores estéticos; o preto é predominante, couro, tachinhas, spikes, para o headbanger o Heavy Metal também é estilo de vida e isso implica nas roupas que ele vai usar. Piercings, tatuagens, alargadores, cortes de cabelo diferentes, tudo isso incomoda.

Quando Arnaldo Jabor fala que o Heavy Metal e o Punk glorificam o barulho e o ódio ele está querendo estigmatizar o gênero, o ódio, o barulho e a violência é o que vivemos diariamente, isso é puro reflexo da nossa realidade, mas que poucos preferem enxergar. Em vez de cantarmos os “barquinhos da bossa nova”, cantamos a hipocrisia, a miséria humana, a intolerância. 



14 de junho de 2011

O que são "metaleiros", pela Globo em 85

Em tempos do primeiro Rock in Rio, a Globo resolve explicar o termo que ela mesma ajudou a disseminar, "metaleiros".  Abaixo do vídeo segue a transcrição dos melhores (ou piores) momentos:


"Até o início deste fetival pouca gente havia ouvido essa palavra "metaleiro"
"E muito menos gente ainda sabia o que realmente esses jovens adavam fazendo"
"Agora eles estão lá, curtindo o rock pesado"

Nota-se a preocupação da repórter com o que esses jovens "realmente" andavam fazendo.

"O metaleiro anda com pouca grana no bolso. A idade é muito variada, mas nunca passa dos 30"

Essa é ótima, mostra praticamente a delinquência desses jovens, ideia que vem a ser corroborada com os entrevistados; 

"Viver isso aqui significa saldação ao demonio, nosso pai"_O Daniel San do thrash metal

"A gente somos contra bebida, maconha, os tóxico todinho. A gente somos contra tudo isso (sic)"

Depois disso a repórter pergunta a um tiozinho de óculos: "O senhor fica preocupado de sua filha ou seu filho virar metaleiro?" Daí ele responde "absolutamente", e eles cortam!
Neste ponto fica claro a intenção da matéria de estigmatizar os fãs de Heavy Metal.

As crianças no final salvam a matéria: "É o rock do futuro, o rock da geraçao jovem!"

1 de junho de 2011

Programa Legal - Heavy Metal



Redação: Hubert, Pedro Cardoso, André Waissman e Marcelo Tas, com a colaboração de Jorge Furtado e Luis Fernando Verissimo

Direção: Guel Arraes, Belisário França

Estrelado pela dupla Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, o Programa legal mesclava documentário com ficção e humor e foi ao ar de abril de 1991 a dezembro de 1992, às terças-feiras 21h30. Cada edição pretendia mostrar como um “programa de índio” podia se tornar uma aventura interessante e divertida. Em cada situação, Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé davam vida a uma grande variedade de personagens e entravam em contato direto com as pessoas nas ruas.

Os temas eram desenvolvidos pelos redatores a partir de uma pauta jornalística elaborada com base em rigoroso trabalho de pesquisa, a cargo de Rita Rocco, e em entrevistas e reportagens realizadas num registro bastante informal. A equipe de redação incorporava material jornalístico à ficção, dando unidade de linguagem e tratamento televisivo ao tema. Era um programa sofisticado, com edição ágil, ritmo acelerado e alta quantidade de informação. 

O programa especial sobre Heavy Metal foi ao ar em setembro de 1992, o Metal estava no auge por aqui. Vários pontos centrais como religião, visual, família e atitude, são abordados de forma bem humorada, eles se aproveitam bastante dos estereótipos. Alguns fãs podem achar esse tipo de abordagem negativa, mas na verdade o humor bem feito, é uma das melhores formas de se transmitir um conteúdo complexo para um público majoritariamente leigo no assunto.

O jeito descontraído num primeiro momento parece corroborar o preconceito, o que aproxima as pessoas que compartilham desse tipo de visão estereotipada, mas no momento seguinte ele complexifica, e acaba quebrando, pelo menos em parte, esse preconceito. É uma abordagem diferente da do Massacration por exemplo, pois este não propõe mostrar uma realidade, como neste programa/documentário.

O programa é bastante rico e dá para perceber um trabalho de pesquisa bem elaborado sobre o tema.  Tem partes muito curiosas, como a cena Heavy Metal do Nordeste, e da Rússia, e cenas como a da Regina Casé com as mães dos integrantes do Ratos de Porão e do Sepultura.